Ítalo Ferreira: de Baía Formosa para a liderança
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Ítalo Ferreira: de Baía Formosa para a liderança

Depois do título histórico em Bell's, surfista potiguar vai vestir a camisa amarela na última etapa australiana da temporada

Thiago Blum

09 Abril 2018 | 23h40

Ítalo Ferreira toca o sino em Bell’s Beach e assume a liderança do ranking mundial

Ítalo Ferreira não virou líder do ranking por acaso.

Para chegar no topo, tem que ter talento. Mas também é preciso querer… e ele não economiza. Quase impossível encontrar alguém com mais vontade de atacar as ondas. Não importa hora ou local.

Nos treinos no quintal de casa em Baía Formosa ou diante de campeões mundiais em qualquer fase de uma competição.

Confiante na força de seu backside, Ítalo Ferreira prefere as direitas do circuito da WSL

Com garra de sobra e manobras fortes e encaixadas, Ítalo venceu pela primeira vez na divisão de elite, justamente na etapa mais tradicional do circuito. Além de entrar para o seletíssimo rol dos atletas que tocaram o desejado sino do evento em Bell’s Beach, o brasileiro pulou para a liderança do ranking.

Apesar da novidade, o potiguar de 23 anos sabe bem como lidar com a mudança de status. E acredita que o melhor jeito de se manter na briga pelo título mundial é manter o estilo veloz e agressivo. Nessa semana começa o Margaret River Pro, terceira e última etapa australiana de 2018.

No dia do seu primeiro título no WCT, você praticamente não sabia o que dizer. Já encontrou as palavras para explicar sua vitória em Bell’s?

Foi incrível essa vitória! Não poderia ter sido melhor. Demorou, mas foi perfeita e estou muito feliz. Não aguentava mais ouvir as pessoas me falarem que tinha que ganhar uma etapa logo, mas eu sabia que o meu momento ia chegar, porque eu trabalhei duro pra isso. Só tinha que acreditar no meu surfe e fazer o que eu sei. Agradeço a Deus por me proporcionar esse momento!

A corrida pelo título de 2018 deve ser uma das mais disputadas dos últimos anos. O que você acha que deve fazer para se manter na briga durante toda a temporada?

Manter minha postura, imaginar que todo a bateria é do round 1 e que se eu perder ali não será legal. Apenas surfar e fazer as escolhas certas. Eu apenas subi um degrau, a escada é grande e é preciso ter os pés firmes para não cair. Sempre respeitando o próximo e acreditando que tudo é possível.

Qual é a principal característica no seu surfe? 

A velocidade e o quanto eu me esforço para atacar as ondas na parte mais crítica, onde eu vou conseguir as melhores notas. Eu sempre surfei no meu limite, mas não tinha tanta constância. Hoje me sinto mais preparado em relação a isso.

Como avalia as novidades desta temporada da WSL: campeonato em piscina e eliminação do round 5 das competições?

O campeonato da piscina será muito interessante, todos vão surfar no mesmo nível. O detalhe vai fazer muita diferença. Será um desafio para todos, sem dúvida. Sobre o round 5, ficou melhor assim porque diminuiu o tempo do evento e mudou a estratégia de competição a partir desta fase.

Teahuppo: etapa do Tahiti, a 7ª da temporada, acontece em uma das ondas mais temidas do planeta

Seu backside é tão forte quanto seu frontside. Prefere as etapas das esquerdas ou das direitas?

Eu sinto muita confiança no meu backside, sem dúvidas. Sinto que preciso melhorar bastante ainda meu frontside… nos tubos… e a cada viagem eu sinto mais confiança. Eu prefiro as etapas para direita sim, mas sinto muita falta de uma esquerda de verdade. A única “esquerda” que temos é o Tahiti, que na verdade é uma “fechadeira” (onda curta e rápida).

Do que tem mais saudade nos momentos de viagem e competição?

Minha família, namorada, meus amigos que vejo pouco. Eles fazem muita falta , eu me sinto sozinho. É por isso que eu sempre estou vendo vídeos engraçados e ouvido musicas , é assim que me mantenho alegre durante os dias de tensão. Gostaria de ter eles do meu lado.

A seleção brasileira do WCT é muito versátil e forte, com novatos e veteranos de circuito. Você tem mais aprendido ou passado experiência?

O Brasil tem um time de peso na elite mundial. Eu sempre tento aprender com cada atleta. Respeitar e tentar ser amigo. Eles são muito competitivos, isso é ótimo.

O que espera da etapa de Margaret River? Agora você virou alvo.

Main Break, no oeste australiano, é uma onda forte e muito volumosa. Encaixa bem no meu surfe, mas ainda tenho muita dificuldade nos outros picos, onde o evento vai quando as ondas estão grandes. Eu estou me sentindo bem confortável e confiante. Só quero surfar bem em cada bateria e não pensar muito na minha posição no momento. Acredito que isso atrapalha. Imagino que eu estou em uma situação difícil, assim eu me forço a ser melhor e não entrar na zona de conforto.