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Nos Jogos é tudo ou nada

Estadão Esportes

01 Agosto 2012 | 19h05

Pode parecer muito clichê, mas Olimpíada é realmente uma caixinha de surpresas. Matematicamente, minha maior expectativa (depois do ouro da Sarah Menezes) era em relação ao Leandro Guilheiro e à Mayra Aguiar. No caso dos dois, não sabia que medalha viria, mas para mim ganharíamos alguma coisa. Aí acontece o que aconteceu com o Leandro… Eu o conheço muito bem e sei que ele respira judô. É a prioridade na vida dele. Imagino a decepção. Quando você vai confiante, mentalizando nada mais do que o ouro… Essa era a expectativa dele e de todo mundo também. Agora vamos torcer muito pela Mayra (ela luta hoje). Também temos a Suelen, o Luciano, o Rafael…

Quanto ao Tiago (Camilo), ele também estava na expectativa de ganhar mais uma medalha (foi prata em Sydney e bronze em Pequim). Campeão tem isso. Eu acho que, ao perder do sul-coreano, ele perdeu essa expectativa. Foi triste.

No judô, quando o atleta se prepara para uma coisa e a expectativa não se confirma, há pouco tempo para se recuperar – algumas horas ou minutos para recomeçar do zero e pensar ‘eu tenho outra chance’. Essa mudança de cabeça, de motivação, é realmente difícil para um judoca, ainda mais quando só imaginou um pódio alto. Imagino que para eles foi muito complicado passar por tudo isso, ainda mais por ser Olimpíada. O Mundial tem todo ano e você pode pensar em outra chance em breve, mas nos Jogos é tudo ou nada – você não sabe se conseguirá se recuperar mais para frente (quatro anos depois).