Arte/Estado
Arte/Estado

Demétrio Vecchioli, Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

17 Março 2017 | 07h00

O novo presidente da Confederação Brasileira de Basketball, Guy Peixoto, tem reunião decisiva com os dirigentes da Federação Internacional de Basquete nesta sexta-feira, em Zurique (Suíça). O balanço de 2016, obtido com exclusividade pelo Estado, aponta que o caixa da CBB está praticamente vazio e, para conseguir operar, ele terá de derrubar a suspensão da Fiba, vigente até maio.  

Aprovado em votação apertada (16 a 12) na semana passada, o documento aponta uma diminuição no valor da dívida, que passou de R$ 10,8 milhões em 2015 para R$ 9,95 milhões em 2016. Só que, para entregar uma cenário menos catastrófico para o sucessor, o ex-presidente Carlos Nunes utilizou quase todo os recursos disponíveis em caixa.

Pelo balanço, a CBB fechou 2015 com R$ 6,7 milhões, valor que desabou para R$ 1,74 milhão em dezembro do ano passado. Como está impedida de receber o repasse da Lei Agnelo Piva (foram R$ 5,6 milhões em 2016), não renovou com o Bradesco (recebeu R$ 9,6 milhões) e comprometeu verbas da Nike, outro apoiador, até 2018, a entidade não tem fonte de recursos neste início de 2017 - apenas despesas.

Em 2016, a CBB deixou de honrar compromissos, como salários, plano de saúde, vale transporte e refeição dos funcionários. A entidade também parou de pagar suas obrigações sociais (INSS e FGTS), o que fica claro no balanço. O valor subiu de R$ 349 mil em 2015 para R$ 1,05 milhão em 2016.

A alternativa para diminuir o valor da dívida foi quitar boa parte dos empréstimos bancários, reduzindo consideravelmente o ônus com juros. O balanço de 2016 apontou que a CBB ainda tem a pagar R$ 1,15 milhão contra R$ 4,1 milhões em 2015. A entidade tem dois empréstimos com o Bradesco (R$ 409.684, com juros de 2,50% ao mês e vencimento em março de 2017, e R$ 17.832, com juros de R$ 9,08% aos mês que venceu em fevereiro deste ano) e outros dois com o Itaú (R$ 477.331 e R$ 1,153 milhão, ambos com juros de R$ 1,90% ao mês e vencimento em abril de 2020).

"A curto prazo é necessário derrubar a suspensão da Fiba para ter novamente como operar", explicou Pedro Daniel, especialista em gestão esportiva e responsável pela área Esporte Total da consultoria BDO. "A médio prazo, a CBB tem de se tornar novamente atraente para os patrocinadores. Ninguém vai investir na entidade na atual situação", completou.

Ciente da situação difícil da entidade que acaba de assumir, Guy apresentará à Fiba um plano emergencial de 100 dias para gestão da CBB, que passa pelo fim da suspensão. Sem recurso, não há como reverter o quadro. A suspensão será o tema principal do encontro.  "A prioridade é retirar a suspensão do basquete brasileiro. Nossos atletas e equipes estão prejudicados e precisam voltar a participar de competições internacionais. Com isso, desbloquearemos todo o dinheiro e conseguiremos novos investidores", afirmou Guy.

A entidade máxima do basquete defende a criação de uma força-tarefa com sua participação, além do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Ministério do Esporte e Liga Nacional de Basquete. Em uma reunião em fevereiro, também na Suíça, apenas Guy não assinou um termo de compromisso. O ex-jogador de 56 anos é contra o formato exigido pela Fiba.

Mais conteúdo sobre:
Basquete

Encontrou algum erro? Entre em contato

Magic Paula *, O Estado de S.Paulo

17 Março 2017 | 07h00

Sendo direta e objetiva, é preciso resumir com tristeza: o basquete brasileiro chegou no fundo do poço. O resgate desta modalidade exige um trabalho que envolva pessoas competentes e interessadas apenas em que o nosso basquete seja respeitado novamente no cenário mundial. Chega de paraquedistas, porque o momento é de planejar o futuro de uma nova geração e ter paciência para colher frutos.

O primeiro passo precisa ser recuperar a credibilidade do basquete brasileiro, permitindo que as seleções de base voltem a participar de competições. Sem que isto aconteça, estaremos acabando com qualquer possibilidade de desenvolvimento do basquete durante muitos anos. Paralelamente, é preciso fomentar a formação e aumentar o número de praticantes e equipes de jovens.

Não dá para tapar o sol com a peneira: o basquete brasileiro está no pior momento de sua história. O trabalho que for iniciado agora só dará frutos a longo prazo e os resultados das seleções adultas não serão tão importantes agora quanto o trabalho de recuperação da base. Este deverá ser o critério de análise para os próximos anos.

* EX-JOGADORA DE BASQUETE, CAMPEÃ DO MUNDO PELA SELEÇÃO EM 1994 E MEDALHA DE PRATA NA OLIMPÍADA DE ATLANTA, EM 1996 

Mais conteúdo sobre:
ATLANTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.