Hélio Rubens quer ficar entre os 6

Nunca o basquete masculino brasileiro teve uma preparação para um Mundial tão complicada como a que está acontecendo em 2002. Amistosos cancelados, jogadores trocando treinamentos por aventuras para conseguir um lugar na NBA, contusões e desistências. Era de se esperar que Hélio Rubens estivesse bem pessimista. Mas o técnico da seleção acredita que o Brasil tem chances de ficar entre os seis primeiros colocados do Mundial de Indianápolis, que começa daqui a 25 dias. Tem como primeira meta fazer com que o time melhore a péssima 10ª colocação no Mundial da Grécia, há quatro anos, e fortaleça o projeto para voltar a participar de uma Olimpíada, depois da ausência em Sydney/2000. O otimismo aumentou um pouco com a boa participação brasileira no Torneio de Istambul, com vitórias sobre a China do gigante Yao Ming, recém-contratado pelo Houston Rockets, e a anfitriã Turquia, maior adversária da primeira fase do Mundial. Bons resultados para uma seleção que iniciou o torneio sem o pivô Nenê, recém-contratado pelo Denver Nuggets, além do pivô Ânderson Varejão, do Barcelona, e do armador Demétrius, do Minas, contundidos. Em entrevista por telefone, Hélio disse que o Brasil está renovando sua seleção, que novos talentos estão surgindo e que o projeto Atenas/2004 está no caminho certo. Reclamou dos empresários de Nenê e revelou que poderá levar para o Mundial o pivô Tiago Splitter, de 17 anos, destaque da Copa América Juvenil, que havia sido convocado para o time adulto apenas para ser observado. Agência Estado - Dava para imaginar uma preparação tão complicada como a que o Brasil está tendo, com contusões e falta de amistosos? Esses problemas deixam você pessimista para o Mundial? Hélio Rubens - Não há como negar que é uma preparação atípica. Lamento profundamente porque era para estarmos caracterizando a estrutura tática da equipe e não estamos com todos os jogadores ainda. Mas é uma realidade que temos que enfrentar. E ainda acho que o Brasil vai alcançar um nível melhor nas semanas finais de treinamento. AE - Você enfrentou vários problemas com jogadores que querem jogar na NBA. O Nenê só vai se apresentar dia 17 e Marcelinho e Luís Fernando abandonaram os treinamentos para entrar em peneiras e torneios de verão da liga. Você acha essa atitude correta? Hélio - Temos que pensar nos interesses dos atletas também. Acho que eles precisam pensar no futuro deles. O Luís Fernando nós não esperaremos mais. O Nenê foi contratado e tem compromissos com o Denver Nuggets. AE - E o caso do Marcelinho? Você deu uma bronca para ele voltar para a seleção ? Hélio - Não foi bronca. Dei minha opinião. Ele tinha que pensar que jogar um Mundial nos Estados Unidos pode ser uma vitrine bem maior que jogar uma partida por uma liga de verão. Ele aceitou. AE - E o Nenê? Vocês não conversam desde que ele abandonou o Vasco para tentar um lugar na NBA. Acha isso normal? Hélio - É... é normal. Mas o empresário dele fica escondendo ele nos Estados Unidos (contrariado). Esse empresário já tinha seqüestrado o jogador no Vasco. O Nenê poderia ter ficado mais um tempo no clube. De qualquer forma, deu certo e ele está na NBA. AE - Que imagem o basquete masculino brasileiro tem no exterior? Hélio - Ninguém sabe nada. Todo mundo pergunta do Nenê e do Ânderson Varejão, que estão jogando em ligas importantes. Eu me sinto orgulhoso por isso, pois são dois jogadores que eu convoquei no ano passado, quando ainda eram garotos. Muita gente achou que era protecionismo, mas eles estão em ligas importantes hoje. AE - E esse time desconhecido do mundo pode fazer o que no Campeonato Mundial? E o projeto Atenas/2004? Hélio - As pessoas não podem criar falsas expectativas. Em todo o mundo, as pessoas comemoram quando conseguem evoluir do décimo para o nono lugar em uma competição. E o basquete está muito competitivo. Participar de um Mundial já é uma glória. A França, que foi vice-campeã olímpica, não conseguiu uma vaga. A Lituânia, que quase ganhou do Dream Team na Olimpíada, também está fora. Se conseguirmos ficar entre os oito primeiros no Mundial, será uma vitória. Se ficarmos entre os seis, abrindo uma vaga para o continente americano na Olimpíada, será melhor ainda. Estamos fazendo o trabalho certo. Vamos chegar no estágio de outras potências, que podem mesclar jogadores experientes e jovens talentos. AE - Você diz que a renovação está sendo feita, mas o Brasil ficou em sexto lugar na Copa América Juvenil e está fora do Mundial... Hélio - Isso é um reflexo do que aconteceu com as categorias de base entre 1990 e 1997. Quase não existiam campeonatos na categoria de base e agora acontece isso. Mas ainda assim revelamos um grande jogador no torneio, o Tiago Splitter, que é um grande talento. AE - O Tiago foi convocado para ser observado na seleção adulta. Existe alguma chance de ele ser convocado para o Mundial? Hélio - Claro que sim. Ele foi o melhor jogador da Copa América e está evoluindo muito. Vai treinar com os outros jogadores e pode ir para o Mundial. É um talento.

Agencia Estado,

03 Agosto 2002 | 15h52

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