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Entrevista. Raulzinho

Titular do Utah Jazz sonha com os Jogos Olímpicos

'Huertas não tem que provar nada', afirma armador Raulzinho

A mochila rosa da personagem Hello Kitty denuncia que o portador é um calouro. É o trote que os veteranos do Utah Jazz impõem aos jogadores em primeira temporada na NBA. Raul Neto, ou apenas Raulzinho, cumpre o rito de entrada com bom humor. O desempenho até aqui, no entanto, não condiz com o de um novato. O armador brasileiro viu uma brecha depois da lesão do australiano Dante Exum, se esgueirou por ela e se consolidou como titular da franquia de Salt Lake City.

Com médias de 6,2 pontos, 2,5 assistências e 1,5 rebote em 20,5 minutos na quadra, Raulzinho é o brasileiro com mais aparições como titular, com 50 em 51 jogos nesta temporada. Os números renderam ao armador participação na partida dos novatos na última sexta-feira, no fim de semana do All-Star Game, em Toronto.

Em entrevista exclusiva ao Estado, o jogador faz uma análise do desempenho na temporada, admite surpresa pelo espaço que conquistou de imediato, e, claro, comenta a expectativa de disputar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Em melhor momento do que o titular do técnico Ruben Magnano, Marcelinho Huertas, que não está jogando no Los Angeles Lakers, Raulzinho prefere não alimentar uma disputa pela posição na seleção brasileira, mas avisa que está confiante e pronto para ajudar o Brasil na Olimpíada.

Raulzinho briga por posição na equipe do Brasil que vai disputar jogos do Rio 2016

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Qual avaliação você faz do seu desempenho na temporada regular da NBA até aqui?

Estou feliz com o que vem acontecendo comigo. Cheguei com o objetivo de ganhar minutos de quadra, tentar aproveitar ao máximo o espaço que me dessem, e as coisas foram acontecendo. Estou evoluindo, crescendo aqui na NBA, buscando melhorar e me aperfeiçoar cada vez mais. Ainda estou me adaptando, cheguei há poucos meses, vem sendo um aprendizado diário.

Esperava ser titular do Utah Jazz logo na primeira temporada?

Não. Eu era um calouro chegando à equipe. Esperava ter alguns minutos, queria e sabia que precisava aproveitar o tempo que me dessem de quadra, não estava criando muitas expectativas porque sabia que precisaria ser paciente, esperar a minha vez e que as oportunidades aparecessem. Felizmente apareceram e estou muito feliz com tudo o que vem acontecendo.

A permanência na Europa por mais duas temporadas após ser escolhido no draft de 2013 pelo Atlanta Hawks e trocado com o Utah Jazz foi fundamental para você se preparar para o que iria encontrar na NBA?

Acho que foi bom para que eu pudesse amadurecer um pouco mais, não me coloquei aquela pressão de ter de ir para a NBA, foi a decisão mais acertada na época.

Qual avaliação você faz do desempenho do Utah Jazz como equipe?

Acho que estamos fazendo um bom campeonato. Conseguimos bons resultados, estamos vindo de uma sequência muito boa, com oito vitórias nas últimas dez partidas, e isso é fruto do trabalho e da confiança que temos no grupo. Temos um objetivo para este ano que é levar a franquia de volta aos playoffs e estamos concentrados nisso. Há alguns anos que Utah não vai à pós-temporada e essa é a nossa meta para este ano.

O Utah tem 26 vitórias e 26 derrotas e ocupa o 8º lugar na Conferência Oeste. É possível alcançar este objetivo, dos playoffs?

Espero que sim, que a gente consiga. Temos feito um bom trabalho, o campeonato é muito equilibrado, estamos focados e pensando jogo a jogo para estarmos entre os oito ao final dessa primeira fase.

Qual avaliação você faz do trabalho do técnico Quin Snyder?

É um excelente treinador, inteligente e de diálogo. Isso ajuda e vem sendo fundamental para que o nosso time, que é jovem, esteja alcançando os resultados. Está sendo muito bom trabalhar com ele, estou aprendendo muito e a nossa relação é muito boa. Ele está sempre muito preocupado com detalhes e isso faz a diferença.

Como foi ser o único representante do Brasil no All-Star Game?

Foi motivo de muito orgulho para mim, representando uma franquia tão importante como o Utah Jazz e o meu país. Difícil de descrever a alegria que senti. Foi, sem dúvidas, um fim de semana mágico para mim, foi como um sonho muito bom, e fiquei feliz de participar, foi uma experiência única e inesquecível. Espero que mais brasileiros participem nas próximas temporadas, é importante para o nosso basquete.

O bom desempenho te deixa confiante de fazer parte do grupo que vai representar o Brasil na Olimpíada?

Sim, me motiva ainda mais. Quero muito disputar a Olimpíada do Rio, vão ser Jogos únicos, serão no meu País, na minha casa, minha família vai estar lá, amigos, o povo brasileiro...

Você foi o único que o técnico Rubén Magnano não conseguiu visitar na viagem aos Estados Unidos. Como foi a conversa por telefone?

Infelizmente, a neve não deixou a gente se encontrar. Conversamos bastante, ele me explicou como vai ser o planejamento da seleção, sobre a preparação e disse que estava acompanhando a minha temporada. Falamos um pouco do campeonato, da minha adaptação aqui, foi um bom papo.

O Magnano afirmou diversas vezes que os poucos minutos em quadra dos jogadores brasileiros que atuam na NBA preocupam para os Jogos Olímpicos. Como vê esta situação?

Espero que isso não atrapalhe em nada. E espero também que os outros brasileiros possam ter mais tempo de quadra, mais oportunidades, isso é bom para eles e para o basquete brasileiro, são jogadores respeitados e importantes para suas equipes. Teremos um período de preparação com a seleção brasileira e tenho certeza de que todos chegarão muito bem para a Olimpíada.

Neste aspecto, você está jogando mais minutos do que o Marcelinho Huertas, que vem sendo o titular da seleção. Acredita que pode ser titular por causa dos minutos e, claro, pelo desempenho até aqui na NBA?

Procuro não pensar nisso. Minha vontade é de estar na seleção brasileira, poder disputar os Jogos Olímpicos do Rio, independentemente de se vou ser titular ou não do Brasil. Acho que o orgulho de estar competindo na Olimpíada pelo meu País, nessa edição que é muito especial por ser na nossa casa, é maior do que qualquer vaidade de posição na equipe. Huertas não precisa provar nada sobre seu talento, sua capacidade e sua qualidade, vem sendo o armador do Brasil nas principais competições e aprendo muito ao lado dele.

O Brasil tem condições de subir ao pódio no Rio? A briga é pela prata ou bronze, já que, os Estados Unidos, são favoritíssimos ao ouro?

Acho que sim, acho que temos condições de brigar por medalha, e acho que a cor pouco importa. Hoje, o Brasil joga de igual para igual com qualquer seleção do mundo, o equilíbrio é muito grande e a diferença entre uma vitória e uma derrota vem nos detalhes. Será uma competição duríssima, são muitos países de basquete de altíssimo nível e a seleção brasileira estará muito forte.

Ainda sonha com aquela atuação diante da Argentina, pelas oitavas de final no Mundial de 2014? Acredita que aquele jogo fez você cumprir a transição de promessa para realidade na seleção?

Lembro com carinho daquele jogo, mas passou, foi muito bom para mim, fiquei feliz por ter ajudado o Brasil, mas passou. Quando acaba um jogo, já estou pensando no seguinte. Acho que aquela partida foi importante para mim, joguei bem, mas também fiz partidas não tão boas. O processo de amadurecimento é longo, é preciso passar por uma série de situações, tomar decisões e aprender com os erros, tudo isso é fundamental como experiência. Jogar pela seleção é um orgulho, mas também uma responsabilidade enorme e você precisa estar sempre preparado para tudo.

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