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William Lucas/Inovafoto/Divulgação

Técnico do basquete diz que não terá retaliação para 'desertoras'

Antonio Carlos Barbosa, da seleção feminina, entende a dificuldade de se quebrar o boicote dos clubes, mas lembra que a fila anda

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PAULO FAVERO,
O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2016 | 07h05

O técnico Antonio Carlos Barbosa, da seleção brasileira feminina de basquete, já está sem São Paulo para comandar o grupo de atletas visando ao evento-teste da modalidade para os Jogos Olímpicos do Rio. Sem poder contar com a força máxima, pois sete atletas pediram dispensa em cima da hora, ele garante que não vai haver retaliação, mas lembra que a fila anda.

"Temos de separar bem as coisas. Quem gerou o problema foram os clubes, que tinham reivindicações e levaram a esse caso extremo. Elas são jogadoras dos clubes, têm contrato, e da minha parte não vai ter represália. Mas claro que tem os dois lados. Tem menina que estava fora da seleção e está de volta. Pode ganhar espaço, e quem não veio sabe que talvez tenha de disputar lugar", diz.

O grupo, formado por muitas caras novas, vai contar ainda com mais uma convocada sub-19 e após uma reunião com a comissão técnica nesta quarta-feira, mais uma jogadora, que disputa a segunda divisão, deve ser chamada para compor o elenco que vai enfrentar Austrália, Argentina e Venezuela no evento-teste na Arena Carioca 1, no Rio. Os treinamentos iniciais serão no Esporte Clube Sírio, em São Paulo, e no dia 12 a delegação vai para o Rio.

Barbosa se considera um otimista por natureza e lembra que a situação complicada não vai prejudicar a equipe nos Jogos Olímpicos. "Não fico preocupado porque o Campeonato Brasileiro acaba em abril e acho que até lá a poeira já baixou. O maior prejudicado é o basquete, depois os clubes, a entidade e as jogadoras. Essa reflexão vai levar todos a buscar pelo melhor caminho e acredito que ninguém vai ser insano de não querer disputar uma Olimpíada."

Entre as atletas que pediram dispensa estão Adrianinha Moisés, Tainá Paixão e Tatiane Nascimento (América de Recife), Gilmara Justino e Joice Rodrigues (Corinthians Americana) e Jaqueline Silvestre e Tássia Carcavalli (Basketball Santo André). Todas elas enviaram cartas à Confederação Brasileira de Basquete (CBB) alegando "motivos pessoais", "particulares" ou que "fogem do controle", sem entrar em detalhes, para não jogar pela seleção.

As razões, porém, têm ligação direta com o boicote proposto pelos clubes das jogadoras. Corinthians/Americana, Santo André, Presidente Venceslau, Maranhão Basquete, Sampaio Correa e América-PE já vinham mostrando descontentamento com a entidade e pedindo maior participação das agremiações na seleção feminina. Dos seis, o único clube que cedeu jogadoras à seleção foi o Sampaio Corrêa.

O momento é conturbado, mas Barbosa acha que ainda dá tempo de o Brasil fazer um bom papel nos Jogos Olímpicos do Rio. Ele espera que suas principais atletas não deixem a seleção na mão. "Eu confio na equipe. Sou um técnico que costuma valorizar muito quem está comigo. Com grupo completo, podemos surpreender na Olimpíada", conclui.

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