Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

Em crise após três eliminações, São Paulo tenta administrar a pressão

Clima melancólico marcou reapresentação do elenco após terceira eliminação no ano, para o modesto Defensa y Justicia, na Copa Sul-Americana

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2017 | 07h00

Os jogadores do São Paulo sabem que vão entrar pressionados amanhã, contra o Cruzeiro, na estreia do time no Campeonato Brasileiro. Após três eliminações na temporada em menos de um mês – a mais recente delas na quinta à noite, contra o Defensa y Justicia, pela Copa Sul-Americana –, a torcida está na bronca e os atletas sabem que resta apenas a competição nacional até o fim do ano.

Para o atacante Pratto, a saída do técnico Rogério Ceni está fora de cogitação, mas todos sabem que a responsabilidade aumentou bastante agora. “Demitido é uma palavra forte, nós perdemos quatro jogos no ano. Ficamos fora de três competições, mas perdemos pouco. Pressionado acho que ele está, assim como nós jogadores. A pressão por jogar e treinar em um time grande nós sempre teremos. O Rogério jogou 25 anos no São Paulo, ganhou tudo, sabe bem o que é ser jogador ou treinador do São Paulo”, afirmou o argentino.

Logo após o empate por 1 a 1 com o Defensa, o diretor executivo de futebol Vinicius Pinotti avisou que o trabalho de Rogério Ceni à frente da equipe era bem feito e que o clube iria apostar na continuidade do comandante. “A gente faz uma análise crítica sempre, mesmo na vitória. A diretoria olha e vê o que pode melhorar. Não houve nenhuma cobrança”, explicou.

Pinotti ainda falou que Ceni é “inquestionável” e que o apoio era total. “Ele está há quatro meses trabalhando apenas e a diretoria do São Paulo acredita na continuidade. Por mais que a gente reconheça que os resultados não foram os esperados, a gente acredita no trabalho. O dia a dia do Rogério Ceni é muito bom, ele tem um plano de trabalho diferente, os jogadores estão muito fechados com ele. Não vai mudar nada”, avisou.

Ele e o presidente Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, estiveram ontem no treinamento da equipe. Viram os atletas que não atuaram contra o Defensa no campo enquanto os titulares fizeram trabalho regenerativo. Como não poderia deixar de ser, o ambiente na atividade era melancólico por causa das eliminações consecutivas.

 

“O clima é de tristeza e frustração, mas temos dois dias para mudar a cabeça e pensar no primeiro jogo do Campeonato Brasileiro. Temos muitos jogadores com a confiança baixa e temos de recuperá-los porque são muito importantes”, explicou Pratto.

Desde que assumiu o clube, Ceni avisou que pretendia ter uma equipe que atacasse o tempo todo, sempre buscando o gol adversário, qualquer que fosse o rival ou o campeonato. Ele também exige que seus atletas marquem pressão e não cogita ser mais defensivo. Mesmo após as três eliminações, ele garante que não vai abrir mão de seus princípios.

“Eu me baseio nas 11 vitórias, 9 empates e 4 derrotas que temos. Nós jogamos para frente, não temos medo de perder nenhum jogo. Jogamos sempre em busca do gol, nunca para trás. Sempre temos intenção do gol e nunca recuamos. É um propósito de jogo que eu tenho convicção e espero que dê certo no Campeonato Brasileiro”, avisou o treinador.

OS DESAFIOS DE CENI

Grupo inchado

Com a participação em apenas uma competição, o técnico Rogério Ceni terá de diminuir o elenco do São Paulo. Breno foi emprestado e outros podem sair, até porque o time terá apenas 38 jogos em mais de 6 meses, ou mais precisamente 203 dias. Isso dá uma média maior que uma partida a cada cinco dias.

Saídas para Europa

Alguns jogadores devem receber propostas no meio do ano, incluindo os titulares Rodrigo Caio, Maicon e Cueva. Isso deixaria o treinador sem peças importantes com o campeonato nacional em disputa. Por isso, a diretoria deve planejar para suprir rapidamente as possíveis saídas.

Pressão da torcida

Sem conquistar um título desde 2012, o torcedor do São Paulo vai chiar se o time não engrenar no Brasileirão. Ceni sabe disso.

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Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2017 | 07h00

Com a eliminação do São Paulo na Copa Sul-Americana, o clube deixou de brigar por um montante de US$ 3,675 milhões (R$ 11,48 milhões) por cair precocemente no torneio. Se fosse campeão, como aconteceu em 2012, o time do Morumbi lucraria esse valor com a campanha.

Na segunda fase, a equipe que disputa recebe US$ 300 mil (R$ 937 mil). O valor salta para US$ 375 mil (R$ 1,17 milhão) na fase seguinte, que é de oitavas de final. Já nas quartas de final os participantes vão ganhar US$ 450 mil (R$ 1,4 milhão). Quem avançar à semifinal arrecada US$ 550 mil (R$ 1,71 milhão). O valor salta para no mínimo US$ 1 milhão (R$ 3,12 milhões) para o finalista. O campeão ganha US$ 2 milhões (R$ 6,24 milhões) pelo título continental.

Isso tudo, sem contar nas rendas das partidas em casa. Contra o Defensa y Justicia, por exemplo, o São Paulo teve uma renda líquida de R$ 111.856,25, pois contou com apenas 14.999 pagantes para o duelo no Morumbi. Mas nas fases mais agudas do torneio sul-americano a tendência seria de público e renda bem maiores.

Além de perder receitas e estar com uma situação financeira frágil, sem patrocinador master, a diretoria terá de lidar com os pedidos do técnico Rogério Ceni. O treinador já disse publicamente que pretende contar com reforços para a disputa do Campeonato Brasileiro.

“Vamos detectar o que a gente precisa e ver se é possível trazer um ou dois jogadores. Também temos de trabalhar com o que temos e evoluir. Precisamos de confiança, pois o objetivo, não só meu como do clube, é estar na Libertadores do ano que vem. A gente já viu equipes serem eliminadas, mas darem a volta por cima e serem campeãs”, comentou.

Nesta sexta-feira, o São Paulo promoveu a primeira mudança no elenco após a eliminação. O zagueiro Breno, que não convenceu nas chances que teve, foi emprestado para o Atlético-GO até o final do ano, quando acaba seu contrato com o São Paulo. Existe uma cláusula que dá prioridade ao time do Morumbi para ficar com ele.

Como compensação do empréstimo, o Atlético-GO emprestou o jovem atacante João Pedro, de 19 anos, para o tricolor. A princípio o garoto será utilizado nas categorias de base em Cotia. 

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Oscar Bernardi*, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2017 | 07h00

Eu já passei por uma fase como essa na minha carreira, mas acho que é passageira. Acredito que o Rogério tem tudo para dar certo no comando do time. Ele é do ramo, está há muito tempo no clube e o que mais sabe fazer é futebol. A torcida, às vezes, não tem paciência, mas ele tem competência para realizar esse trabalho.

Ainda é prematuro qualquer conversa em relação à troca, pois não dá para dizer que o Rogério não está dando certo. É cedo para pensar assim. Acompanho de longe, não participo do dia a dia do clube, por isso não dá para dizer com propriedade o que está acontecendo.

O São Paulo tem trocado muito de jogador. É sempre procurado para vender seus atletas. No futebol brasileiro costuma ser assim. Os times não conseguem manter seus jogadores por muito tempo. Os clubes europeus vem para cá e levam. Desta forma, é preciso ter alguém para substituir logo em seguida.

Não culpo os atletas porque eles têm de pensar na carreira. Assim, quem se destaca logo vai embora. Mas quando um clube muda muito seu elenco, a formação do time fica comprometida. 

Até o Paulistão, o São Paulo tentava mudar seu estilo de jogo e tendo um padrão de futebol europeu, pressionando o adversário o tempo inteiro. Mas para fazer isso é necessário ter uma equipe bem treinada e uma defesa consistente. 

Já tentei fazer isso quando eu era treinador. É bom, pode dar certo, mas os jogadores precisam estar empenhados. No Brasil nem sempre os jogadores conseguem. Tem de ter o jogador certo.

Agora o São Paulo tem um campeonato longo pela frente, com pontos corridos. Tem elenco para fazer boa campanha e tem condições de dar a volta por cima.

* OSCAR FOI ZAGUEIRO E DEFENDEU O SÃO PAULO ENTRE 1980 E 1987, PERÍODO EM QUE CONQUISTOU QUATRO PAULISTAS E UM BRASILEIRÃO

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