A frieza da tabela

Gigantes de São Paulo devem se preparar para sequência complicada no Campeonato Brasileiro

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2017 | 03h00

Desde 2003, quando o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por pontos corridos, quem se debruça sobre a tabela nas rodadas iniciais do torneio tem a convicção de que seu time vai entrar pelo cano se não abrir o olho rapidamente. Quando a disputa tinha fases, talvez a sensação fosse a mesma, mas havia mais fé no imponderável, existia aquela sensação de que o resultado positivo pudesse acontecer também num lance mágico de um dos craques que se apresentavam em campo. Os tempos são outros em todos os sentidos, até na presença de jogadores capazes de fazer essa diferença. Daí o temor quando se lê a fria tabela com a intenção de conferir o caminho do seu time e vislumbrar pontos a serem somados.

Fiz esse exercício neste domingo, depois da segunda rodada do Brasileirão, com Grêmio e Fluminense encabeçando a lista – seis pontos em dois jogos. Fui até a 7.ª rodada, aleatoriamente, mas me detive aos jogos dos quatro clubes de São Paulo. Comecei pelo Palmeiras, que no sábado apanhou da Chape, depois de ter estreado batendo no Vasco.

Com três pontos, o time de Cuca pode, numa análise desprovida de qualquer condição de campo, levando-se em conta apenas a tradição e peso das camisas, além de algumas cascas de banana do passado, se complicar. O Palmeiras enfrenta agora São Paulo (f), Atlético-MG (c), Coritiba (f), Fluminense (c) e Santos (f) – nessa ordem, da 3.ª à 7.ª rodada. Cuca descobriu da pior maneira possível, com derrota em Chapecó, que o elenco reserva nem de longe consegue igualar a competência do titular, tampouco fazer frente aos adversários. Ele próprio pediu evolução aos suplentes. Sua conclusão foi a de que, mesmo a despeito da importância das outras competições em que o Palmeiras está, não poderá apostar no banco em muito mais jogos do Nacional, com receio de ficar para trás.

Seu maior rival, o Corinthians, continua em sua toada, a de quem não tem força para oferecer muito mais, mas obteve bom resultado na Fonte Nova diante do Vitória, num duelo que poderia ter acabado empatado não fosse o gol de Jô, talvez na única chance clara do time. Tirando o Atlético-GO, oponente da próxima jornada, a equipe de Carille só terá pedreira pela frente. Na sequência, encara Santos (c), Vasco (f), São Paulo (c) e Cruzeiro (c). O Corinthians vai sofrer também com a falta de elenco. Há muito jogador no grupo a ser recuperado tecnicamente, como Marquinhos Gabriel, que atuou em Salvador e deu passe para o gol de Jô.

Ocorre que, na convocação de Tite para amistosos da seleção em junho, na Austrália, Carille terá de entregar Fagner e Rodriguinho – dois de seus principais jogadores. E pode ainda perder os paraguaios Romero e Balbuena na mesma data Fifa. O cenário é parecido com o do Estadual, vencido pelo clube, só que com rivais mais preparados e duros. Carille não tem o que fazer, por isso afirma, com convicção, que não mudará o jeitão do time. 

Na trajetória do Santos até a 7.ª rodada há dois clássicos paulistas, com Corinthians (f) e Palmeiras (c). Seu próximo compromisso é contra o Cruzeiro (c), antes de visitar o rival em Itaquera. Depois, mede forças com Botafogo (c) e Atlético-PR (f) – na 6.ª jornada. Alguma dúvida de que é tudo osso duro?

Em São Paulo, a expectativa mesmo é com o time de Rogério Ceni, que recebe nesta segunda-feira o Avaí, teoricamente um rival fácil. Mas como a fase é ruim, com seguidas eliminações e más apresentações (estreia no Nacional com derrota para o Cruzeiro), o clima é tenso no Morumbi. Sem ter pontuado ainda, a tabela lhe reserva, depois do Avaí, a seguinte sequência: Palmeiras (c), Ponte (f), Vitória (c), Corinthians (f) e Sport (f). Na frieza da leitura da tabela, trata-se de um caminho que não lhe permite sobressaltos.

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