Alex fez jus à expressão Gol de Placa

O gol no clássico com o São Paulo foi suficiente para colocar o nome de Alex na antologia de autores dos maiores lances da história do futebol brasileiro. Os dois toques sutis, que desnortearam Émerson e Rogério, e o arremate para a rede se juntam a outros momentos memoráveis, proporcionados por craques da linhagem de Pelé, Dener, Pitta, Marcelinho. A ação do meia do Palmeiras, na noite de quarta-feira, merece ser lembrada como "Gol de Placa". A expressão que define jogada excepcional que termina em gol teve Pelé como fonte de inspiração. Ainda nos anos verdes de sua carreira. O lance de gênio ocorreu em 5 de março de 1961, no clássico contra o Fluminense, no Maracanã. O Santos vencia por 1 a 0, o time carioca pressionava e aos 41 minutos proporcionou contra-ataque. Pelé dominou a bola na meia-lua, ergueu a cabeça e arrancou. No caminho, enfileirou adversários, três, quatro, cinco, seis, até tocar para o gol de Castilho. A torcida encantou-se e aplaudiu o astro. O jovem repórter Joelmir Beting cobria a partida, ao lado de Nelson Rodrigues. A reação empolgada do cronista fez com que o jornalista sugerisse que fosse feita uma placa para imortalizar o gol. Ele mesmo providenciou o troféu. Os locutores passaram referir-se a "gol de placa", sempre que havia lance extraordinário. A expressão pegou e vinga até hoje. O meia Pitta entrou nessa galeria em 16 de março de 1985, quando defendia o São Paulo num duelo com o Palmeiras (4 a 4), no Pacaembu. Aos 11 minutos, recebeu passe no meio-campo, passou por quatro zagueiros, até o arremate final, sem chance para o goleiro Leão. "Acreditei no lance e tudo certo", declarou, na época. Seis anos mais tarde, em 13 de novembro, Dener deu a vitória de 1 a 0 da Lusa sobre a Inter de Limeira ao partir a toda velocidade para o gol de Gérson, depois de iludir vários adversários. Dener morreu em 94, em acidente de carro. Marcelinho Carioca também tem seu gol de placa. Em 12 de fevereiro de 96, marcou o segundo do Corinthians sobre o Santos (2 a 2), na Vila, ao dar chapéu em Ronaldo Marconato e chutar de primeira, sem defesa para Edinho. "Foi dos gols mais bonitos que vi", elogiou Pelé, com autoridade de mestre e pai do goleiro. O Rei ofereceu a placa ao ex-corintiano.

Agencia Estado,

21 Março 2002 | 19h26

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