Amanhã é prazo final para Ronaldo

Massimo Moratti, presidente da Internazionale, é industrial e empresário que atua até na área de petróleo. Florentino Perez, presidente do Real Madrid, tem grande parte de sua fortuna proveniente de investimentos imobiliários. Os dois dirigentes são hábeis negociantes - e, portanto, duros na queda. A mais recente demonstração de como é difícil dobrá-los está na arrastada transação que tem Ronaldo como personagem central. O acordo entre italianos e espanhóis esteve muito perto de sair, nesta sexta-feira, nos agradáveis e suntuosos salões de hotéis de luxo do Principado de Monaco. Mas, como havia ocorrido na semana passada, nada ficou acertado, embora tudo ainda esteja em aberto. A diferença em relação ao encontro em iates da semana passada está no fato de que, desta vez, Moratti incumbiu seu xará Massimo Moretti para discutir com Perez. Moretti, diretor de futebol da Inter, ouviu de Perez e de Jorge Valdano a ?última? oferta do Real Madrid por Ronaldo, que seriam US$ 37 milhões mais o passe de Morientes para chegar a acordo. Moretti telefonou para o clube, escutou a argumentação de seu patrão e respondeu com ?não? às pretensões dos espanhóis. Em seguida, garantem jornais italianos, levantou-se e foi embora, de volta para Milão. Pouco depois, a página oficial da Internazionale na internet divulgava comunicado seco, que dizia que, após os encontros desta sexta-feira, "não haviam surgido as condições técnicas e econômicas para poder concluir a operação-Ronaldo." Dessa forma, mais uma vez estava fechado o diálogo. O presidente Moratti falou, no fim do dia, em tom enigmático. O dirigente lamentou que o caso não tenha sido encerrado, previu a permanência do astro no elenco por mais uma ano, mas falou que só um ?milagre? reverteria a situação. "Milagres acontecem", emendou, o que pode ser interpretado como indício de que ainda está disposto a ceder. O Real luta contra o tempo. O prazo para inscrições para a Liga dos Campeões termina à meia-noite deste sábado, em Zurique, sede da Uefa. Depois disso, só seria possível utilizá-lo no Campeonato Espanhol, o que não compensaria investimento altíssimo. Ronaldo e seus procuradores têm ?certeza? de que se trata de braço-de-ferro entre dois negociadores poderosos, mas que haverá acordo. O craque nem imagina outra possibilidade a não ser a de deixar a Inter, onde se sente pouco à vontade, depois de cinco anos de experiência e da assistência que recebeu do clube no período em que ficou inativo, por causa de operações no joelho.

Agencia Estado,

30 Agosto 2002 | 19h12

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