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ANÁLISE-Eventos esportivos podem se tornar menos ambiciosos depois do Brasil

STE - REUTERS

13 Junho 2014 | 14h 51

Assolada por atrasos e protestos, a Copa do Mundo no Brasil pode ser um divisor de águas para grandes eventos esportivos, forçando a Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI) a aceitarem candidaturas menos ambiciosas para reduzir os riscos de repúdio popular. Descrita pelo governo brasileiro como “a Copa das Copas”, o torneio começou na quinta-feira com um pano de fundo de polêmicas e preocupações. A Fifa enfrenta alegações de corrupção na concessão do Mundial de 2022 ao Catar, assim como acusações de partidas arranjadas. Com isso, menos países estão dispostos a sediar grandes eventos, e até alguns patrocinadores começaram a questionar o efeito negativo de se associar a eles. Desde a Olimpíada de Barcelona em 1992, que estabeleceu um alto padrão, grandes eventos esportivos passaram a dar ensejo a projetos de infraestrutura e tentar regenerar cidades. Economistas esportivos e fontes da Fifa afirmam que o Brasil, que sedia a Copa mais cara da história com seu gasto estimado em quase 26 bilhões de reais, mostrou tanto os limites quanto os riscos deste modelo.

Embora a natureza do processo seletivo faça com que países mais aptos a esbanjar em estádios de última geração ainda atraiam apoio, há um sentimento crescente entre as populações das cidades e nações cogitando sediar tais eventos de que maior nem sempre é igual a melhor.

“Acho que chegamos a um divisor de águas na história dos grandes eventos, e que isso irá levar a uma grande redução na ambição relacionada à infraestrutura destes eventos”, disse Wolfgang Maennig, professor da Universidade de Hamburgo especialista em economia dos esportes.

Para Maennig, que conquistou a medalha de ouro como remador para a Alemanha na Olimpíada de Seul em 1988, grandes eventos esportivos se tornaram tão politizados e polêmicos que correm o risco de perder tantos patrocinadores quanto países para sediá-los.

Ele aponta para a dificuldade do COI de encontrar um país para realizar a Olimpíada de Inverno de 2022. Munique, na Alemanha, e St. Moritz-Davos, na Suíça, desistiram de suas propostas quando seus habitantes votaram "não" em referendos, deixando o COI em uma saia justa para encontrar um candidato adequado.

No Brasil, que também irá sediar a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro, as manifestações e greves contagiaram os ânimos depois dos milhões que foram às ruas em junho passado para protestar contra os serviços públicos.

“O lado positivo a ser tirado do Brasil é que aprendemos com ele e faremos as coisas diferente da próxima vez”, declarou uma fonte da Fifa, acrescentando que a entidade deveria ter insistido para o Brasil reduzir o número de cidades-sede para 10 em vez de 12, o que teria diminuído os problemas em potencial com infraestrutura inacabada, e cumprido a ameaça de transferir jogos se as instalações não estivessem prontas para a estreia.

A Uefa já entendeu o recado, reduzindo o fardo de qualquer país ao escolher 13 cidades europeias para sediar a Eurocopa de 2020.

NERVOSISMO

Para os patrocinadores, a equação pode estar mudando também, já que as manchetes negativas aumentaram muito.

Alguns deles tomaram a rara decisão de falar sobre a investigação de corrupção na campanha do Catar. A Adidas declarou que o debate negativo em relação à Fifa “nem é bom para o futebol nem para a Fifa e seus parceiros”, e a Coca-Cola se expressou em termos semelhantes.

“No minuto em que o futebol vai das páginas de esportes para as de política, acho que os patrocinadores têm que se preocupar, porque sua mensagem está sendo truncada”, disse David Carter, diretor do Instituto de Negócios Esportivos da Universidade do Sul da Califórnia.

“As pessoas estão realmente nervosas”, afirmou. “A última coisa com que você pode arcar quando investe centenas de milhões de dólares em uma oportunidade esportiva global é ter que cruzar os dedos e esperar que tudo dê certo”.

Carter disse que os preços que a Fifa cobra dos patrocinadores corre o risco de diminuir se eles virem menos benefícios por estarem diretamente ligados à Fifa e à Copa do Mundo.

Ainda assim, é improvável que isso aconteça no futuro próximo, já que os acordos de patrocínio geralmente são combinados para muitos torneios -– a Adidas, por exemplo, assinou como patrocinadora da Fifa até 2030.

E os megaeventos continuam saudáveis em alguns aspectos. Os preços dos direitos de transmissão continuaram a crescer, com poucos sinais de abatimento.

Sessenta por cento dos brasileiros agora acham que sediar a Copa é ruim para o país, de acordo com uma pesquisa recente, e milhares protestaram em todo o país com cartazes dizendo à Fifa que “vá para casa”.

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