ANÁLISE: 'Os clubes europeus sabem se aproximar dos torcedores'

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Rafael Alberico Chaves*, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2017 | 17h00

O futebol é um dos principais entretenimentos do brasileiro e reflete bastante o momento político do País. Muito disso porque os gestores dos clubes se parecem com políticos, que insistem em não entender o perfil daqueles com quem são obrigados a se relacionar e erram nas decisões.

Os clubes europeus já passaram por problema semelhante, mas descobriram uma maneira de se entender com o público. A Juventus, por exemplo, tem um departamento de ‘inteligência do torcedor’ para entender de que forma as pessoas se relacionam com o time. É obvio o esforço dos europeus em ganhar mercados emergentes. É planejamento estratégico. Aqui os gestores não entendem quem é o consumidor final.

Estamos perdendo mercado. Uma nova era começou e os dirigentes não se deram conta, não entendem esse novo jeito de torcer. O futebol europeu é vendido como espetáculo. A música da Liga dos Campeões é emocionante, as camisas dos clubes são lindas, os melhores jogadores estão lá. Há jovens brasileiros identificados com times europeus, sem nenhum vínculo com os nossos. Por exemplo, o cara torce para o Real Madrid por causa do Cristiano Ronaldo. Ele joga videogame com o português, o segue nas redes sociais. Tudo isso dá efeito de proximidade. Na sequência, começa a misturar os valores que tem como pessoa com os valores do clube.

Se você gosta de futebol, você quer acompanhar os melhores e hoje é fácil ter acesso. Nas últimas semanas, isso ficou claro. Ao mesmo tempo em que Corinthians e São Paulo jogavam pelo Paulista, duelavam Real e Barcelona. Eu vi mais gente comentando sobre o clássico espanhol do que sobre os times brasileiros. Se nada mudar, o futuro é nebuloso. Em cinco anos os times grandes serão engolidos. Com pouco público no estádio, sem nenhum tipo de conteúdo na internet, será difícil sobreviver.

* RAFAEL ALBERICO CHAVES É MESTRE EM GERENCIAMENTO ESPORTIVO E MEMBRO PESQUISADOR DO GEPECOM-EEFE/USP

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