Ricardo Stuckert/CBF
Ricardo Stuckert/CBF

Análise: Técnico só tem tempo para trabalhar quando mostra resultado

Dirigentes terão paciência com Fábio Carille e Zé Ricardo se Corinthians e Flamengo começarem a apanhar seguidamente no Brasileiro?

Almir Leite *, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2017 | 07h00

Ganhar um salário menor em troca de estabilidade no trabalho, como gostaria Tite, pode ser considerado um raciocínio coerente. Sobretudo diante da eterna instabilidade de uma profissão como a de treinador de futebol. Mais ainda quando estes treinadores fazem parte da elite. Quando alcançam estágio em que RS 100 mil, R$ 200 a mais ou a menos na conta no fim do mês não faz tanta diferença.

Não só para eles, no entanto. Aliás, muito menos para eles. Para técnicos de clubes pequenos, que ganham salários baixos, baixíssimos em diversos casos, e que perdem o emprego com velocidade muito maior do que a turma da elite, a estabilidade realmente seria condição importante. Afinal, é como se fala: é melhor pingar do que faltar. 

No entanto, isso é utopia. Por um motivo bem simples – não necessariamente justo: no futebol, o que vale é o resultado. Ou alguém acredita que torcida e dirigentes terão paciência com Fábio Carille e Zé Ricardo se Corinthians e Flamengo começarem a apanhar seguidamente no Brasileiro?

Às vezes, nem o resultado é suficiente, como comprova a demissão de Eduardo Baptista. Caiu porque jamais foi aceito e porque só em raras ocasiões conseguiu fazer o Palmeiras jogar bem. 

Nos últimos anos, os supersalários dos treinadores no Brasil ficaram menores (ainda assim continuam ‘super’). Parece que os dirigentes perceberam que estavam excessivamente valorizados. E também não é bom gastar muito em tempos de crise. A instabilidade, porém, segue a mesma. E vai continuar assim.

* Editor-assistente de Esportes

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