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Fábio Motta|Estadão

Andorra pede colaboração do Brasil em investigação contra Ricardo Teixeira

Ex-presidente da CBF é suspeito de lavagem de dinheiro e corrupção

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Jamil Chade,
Correspondente em Genebra

23 Fevereiro 2016 | 07h00

O governo de Andorra fecha o cerco a Ricardo Teixeira e vai pedir a colaboração do Brasil para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o ex-presidente da CBF. O Estado obteve informações exclusivas de que as autoridades do principado já informaram Brasília que enviarão nos próximos dias um pedido de cooperação judicial à Procuradoria Geral da República. A PGR já indicou que está disposta a cooperar e que a transmissão de dados poderia ocorrer em um modelo chamado de "auxílio direto".

O ex-cartola é investigado pelo FBI. Os americanos solicitaram à Justiça suíça informações sobre contas que estariam sendo controladas pelo brasileiro em bancos no país alpino e também pediram a colaboração de Andorra, diante das suspeitas de que parte dos negócios dele teriam passado por lá.

Por Andorra teria passado o pagamento de uma indenização milionária imposta a Ricardo Teixeira e João Havelange para arquivar um dos maiores caso de corrupção da Fifa. Segundo a Justiça suíça, eles fraudaram a entidade em R$ 40 milhões entre 1992 e 2000 por meio de pagamentos de propinas da ISL, a empresa que vendia direitos de transmissão para a Copa de 2002 e 2006. 

O caso foi mantido em sigilo, e os cartolas brasileiros pagaram multa de US$ 2,45 milhões como devolução dos recursos e forma de encerrar o caso. Mas recursos nos tribunais em Lausanne conseguiram liberar a documentação. 

Dados obtidos pelo Estado revelam que a empresa que fez a gestão para a devolução do dinheiro na forma de multas foi a Bon Us SL. A empresa depositou os US$ 2,5 milhões do acerto entre Teixeira, Havelange e a Fifa. O dinheiro foi para a conta de Peter Nobel, o advogado pessoal de Joseph Blatter, presidente da Fifa, quem repassou o dinheiro à instituição. 

Quatro dias depois, mais US$ 100 mil foram repassados de um banco em Andorra para Nobel, supostamente como honorários de advogados.

O presidente da Bon Us não é declarado em documentos oficiais. Mas ela aparece como acionista da sociedade CO-INVEST SP. Z O.O. registrada na Polônia e que tem como um de seus sócios Joan Besoli que, por sua vez, é sócio de um aliado de Teixeira, Sandro Rosell, na consultoria Comptages SL. Esse mesmo escritório conduziu um pedido de Teixeira para ser residente de Andorra.

Uma das condições para receber a residência seria o depósito de dinheiro no principado. A suspeita é de que o brasileiro optou por fazer a transferência ao Banco Privado de Andorra, instituição que foi também controlada por um dos ex-diretores de Rosell no Barcelona, Ramon Cierco.

Os advogados de Teixeira foram procurados pelo Estado e não responderam até a publicação desta matéria.

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