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Após exumação, cemitério perde corpo de Mané Garrincha

Profissionais do local não sabem dizer onde os restos mortais do ídolo do Botafogo e da seleção foram colocados

Estadão Conteúdo

31 Maio 2017 | 13h13

Um dos maiores jogadores da história do futebol mundial teve seu corpo perdido no cemitério em que foi enterrado. De acordo com matéria do jornal carioca Extra, a prefeitura de Magé, no Rio de Janeiro, não sabe onde está enterrado o corpo de Manuel Francisco dos Santos, o eterno Mané Garrincha, ídolo do Botafogo e da seleção brasileira. Morto em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos, em decorrência do alcoolismo, Garrincha teve o corpo sepultado no Cemitério Municipal de Raiz da Serra.

A constatação dos profissionais do cemitério aconteceu porque o atual prefeito da cidade, Rafael Tubarão, pediu informações do local exato do sepultamento para que fosse realizada uma homenagem ao jogador em outubro, quando ele completaria 84 anos. A Secretaria de Ação Social entregou um relatório sobre o recadastramento do cemitério informando a exumação do corpo, mas não soube responder sobre o destino dos restos mortais de Garrincha.

Priscila Libéria, atual administradora do cemitério, afirmou que não há nem a certeza de que ele esteja enterrado no local, de acordo com o jornal. "Houve uma informação de que o corpo foi exumado e levado para um nicho (gaveta no cemitério), mas não há documento da exumação." Ou seja, não se sabe onde os restos mortais de Garrincha foram colocados.

Quem também confirma a retirada do corpo do atacante é João Rogoginsky, de 70 anos, primo de Garrincha. Ele, no entanto, não presenciou o processo realizado há dez anos e também não sabe onde foi colocada a ossada do craque. "Eu não vi. Só me disseram que haviam tirado o corpo da terra e colocado num nicho na parte superior do cemitério. Não deram nenhum documento disso."

Tampouco os parentes próximos do jogador receberam notificações do paradeiro do corpo. "Fui informada pelos responsáveis do cemitério que haviam tirado o corpo do meu pai do local onde ele havia sido sepultado. Era uma cova que pertencia a uma tia que também já morreu. Disseram que estaria num nicho, mas não se tem certeza de nada. Ninguém da família foi informado da exumação do corpo. É difícil para mim e para minhas irmãs não saber onde está o corpo do nosso pai", declarou Rosângela Cunha Santos, filha do ex-jogador. "Meu pai não merecia isso", lamentou.

DOIS LOCAIS

Existem duas sepulturas creditadas a Garrincha no cemitério. O primeiro local onde ele foi enterrado é uma cova coletiva, onde outros parentes dele mortos também foram colocados. A segunda foi feita pela prefeitura de Magé em 1985 e fica a 200 metros da original. Ali, foi colocado também um obelisco, em forma de homenagem ao atleta.

 "Se a família concordar, faço exumação nas sepulturas. E um DNA para saber se algum corpo é o de Garrincha", disse o prefeito. Os principais clubes em que Garrincha atuou, como o Botafogo, e também a CBF, dona da seleção, não se manifestaram sobre o episódio.

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