Após quase 15 anos, Nelsinho Baptista encerra o seu ciclo no Japão

Treinador está sem clube desde que deixou o Vissel Kobe, em agosto

Estadão Conteúdo

30 Outubro 2017 | 13h38

O ciclo do técnico Nelsinho Baptista acabou no Japão. Ele mesmo definiu isso neste fim de semana. Não foi fácil, mas a decisão foi tomada. Após quase 15 anos no futebol japonês (somando todas as passagens), resolveu voltar ao Brasil de vez. Sem clube desde que deixou o Vissel Kobe, em agosto, o comandante brasileiro trará toda a família para casa nos próximos dias.

Nelsinho planeja atuar como técnico por mais algum tempo. Mas pretende descansar até o fim de ano e, só depois, vai pensar no que irá fazer na temporada 2018. "Eu tomei a decisão de retornar ao Brasil. Fui muito feliz no Japão. Não só no futebol, mas também na convivência com as pessoas e no aprendizado. Mas agora, acho que é a hora de voltar. Lamento apenas pela minha filha de oito anos que cresceu na cultura japonesa e, com certeza, vai sentir falta do país", explicou Nelsinho, de 67 anos.

No total, são 14 anos trabalhando no futebol japonês. Neste período, ele comandou Verdy Kawasaki, Nagoya Grampus, Kashiwa Reysol e Vissel Kobe. Para se ter uma ideia da experiência do brasileiro no país asiático, no século 21, Nelsinho Baptista ostenta oito anos e meio de Brasil e oito anos e meio de Japão.

"Quero descansar e aproveitar este resto de ano no Brasil. Com calma, ao lado da família, vou decidir o que farei em 2018. Mas deixo o Japão com o sentimento de dever cumprido. Conquistei acessos, títulos, fiz amigos e adquiri experiência, organização, tirei um pouco de tudo o que o Japão me ofereceu", comentou o treinador brasileiro. Ele negou ter sido procurado por qualquer clube do Brasil.

UMA VIDA

A caminhada de Nelsinho Baptista no Japão começou ainda na década de 90. Após levar o Corinthians ao primeiro título brasileiro em 1990, aceitou o desafio de comandar o Al-Hilal, da Arábia Saudita. Lá ficou só uma temporada e depois rumou para o Verdy Kawasaki. Entre 1994 e 1996, Nelsinho Batista foi bicampeão nacional, em 1994 e 1995, e ainda faturou a Copa da Liga Japonesa em 1994.

O Japão, porém, foi deixado de lado por um período. Nelsinho Baptista optou por desafios em território verde e amarelo. Entre 1996 e 2003, ele comandou clubes como Internacional, Corinthians, Cruzeiro, São Paulo, Flamengo e até Colo-Colo, do Chile. Mas as boas lembranças o fizeram rumar novamente para o Japão.

Entre 2003 e 2006, Nelsinho Baptista comandou o Nagoya Grampus. Após breve retorno ao Brasil com passagens por Santos, São Caetano, Ponte Preta, Corinthians e Sport - seu último clube nacional e com direito a inédito título da Copa do Brasil (2008) e bi pernambucano (2008 e 2009) -, Nelsinho foi para sua jornada mais feliz no Japão.

AUGE NO JAPÃO

Aceitou o desafio de comandar o Kashiwa Reysol, um dos maiores clubes do Japão. O sucesso foi tanto que ele ficou de 2009 a 2014 por lá. E não decepcionou. Foi o responsável por devolver o clube à elite japonesa e com direito a título na segunda divisão em 2010. No embalo, Nelsinho Baptista faturou o Campeonato Japonês em 2011 e os títulos, a partir dai, acumularam-se.

O paulista de Campinas, interior de São Paulo, foi campeão da Copa Imperador, em 2012, da Supercopa Japonesa, em 2012, da Copa da Liga Japonesa, em 2013, e da Copa Suruga, em 2014, quando venceu o Lanús. Sem falar que o time de Nelsinho Baptista ainda disputou o Mundial de Clubes. Em 2011, o Reysol ficou na quarta colocação.

"Este foi, sem dúvida, um dos períodos mais vitoriosos da minha carreira. Pegamos um time que tentava se levantar. Fizemos um bom trabalho. Naquela época eu já conhecia o futebol japonês. Com tempo para trabalhar e implantar meus métodos, conseguimos o título da segunda divisão. O time pegou confiança e emendamos uma sequência de conquistas na elite japonesa. Sinto-me em casa no Kashiwa Reysol. Fui muito feliz lá", contou o brasileiro.

ÚLTIMO TRABALHO

Depois do Reysol, Nelsinho Baptista assumiu o Vissel Kobe, um clube de porte médio, entre 2015 e 2017. Nesta temporada, o Kobe conseguiu uma sequência positiva na largada com cinco vitórias seguidas e a liderança no Japonês. A perda de alguns jogadores importantes, porém, atrapalhou os planos dele e do clube.

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