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Após um ano da morte de Kevin, não há respostas para tragédia de Oruro

Raphael Ramos - O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2014 | 17h 00

Enquanto responsável continua sem ser punido, os 12 corintianos presos na Bolívia voltaram à rotina

SÃO PAULO - Na próxima quinta-feira, completará um ano que 12 corintianos foram presos em Oruro, na Bolívia, acusados de matar o jovem Kevin Beltrán Espada, de 14 anos, durante a estreia do Corinthians na Libertadores, diante do San José. Um grupo de cinco torcedores ficou preso quase cinco meses na penitenciária San Pedro, localizada a poucos metros do Estádio Jesús Bermúdez, local da tragédia. Sete ficaram detidos três meses e meio. Todos foram soltos por falta de provas.

Um menor de idade se apresentou à Justiça brasileira como autor do disparo do sinalizador que atingiu Kevin. A Justiça boliviana, no entanto, ainda não deu o processo por encerrado. O caso já está com o terceiro promotor diferente. As investigações começaram com Abigail Saba, depois passaram para Alfredo Santos e agora estão sob responsabilidade de Rubén Arciénega Llanos. Nenhum dos três está convencido de que o autor do disparo do sinalizador foi o menor que se apresentou no Brasil.

De volta ao País, os 12 corintianos que estiveram presos em Oruro continuam como sócios de torcidas organizadas e mantêm a rotina de acompanhar o time. Cinco, inclusive, já se envolveram em confusões: três brigaram em Brasília com vascaínos, um está preso na Bahia e outro participou da invasão ao CT do Corinthians.

Raphael Machado Castilho Araújo curtiu por pouco tempo a liberdade. Integrante do primeiro grupo a retornar ao Brasil, ele desembarcou em São Paulo em 9 de junho. Em 20 de setembro, foi preso em Santo Estevão, cidade baiana de pouco mais de 50 mil habitantes, a 148 quilômetros de Salvador.

Ele é acusado de ter fugido de uma blitz e, durante a perseguição, ter atirado em policiais. Araújo foi atingido de raspão por uma bala no tórax e fraturou o braço direito. Agora, aguarda julgamento. Segundo sua mãe, Valcineia Machado dos Santos, o filho é inocente.

"O problema dele foram as más companhias. Eu perdi o Raphael desde quando ele resolveu ir para a Bolívia. Ele voltou muito diferente, acabou indo para a Bahia morar com o avô e se meteu nessa confusão. Inventaram um monte de história, mas ele não fez nada disso", disse Valcineia ao Estado.

Outros dois ex-presidiários, Cleuter Barreto Barros, apelidado de Manaus, e Leandro Silva de Oliveira, o Soldado, foram flagrados pelo Estado brigando com vascaínos no Estádio Mané Garrincha, no dia 25 de agosto, em jogo do Campeonato Brasileiro. Fábio Neves Domingos foi identificado pelo jornal Lance. Por causa da confusão, os dois clubes foram punidos com a perda de quatro mandos de campo cada.

Mesmo barrado dos estádios de todo o País por 90 dias, Soldado conseguiu burlar a segurança da Arena do Grêmio e acompanhou a eliminação do Corinthians da Copa do Brasil, em 23 de outubro.

O último episódio envolvendo um ex-preso de Oruro ocorreu no dia 1.º, quando Tiago Aurélio dos Santos Ferreira foi flagrado entre os invasores do CT corintiano.

"Estou decepcionadíssimo com o rapaz de Oruro que invadiu o CT. Ele passou por uma experiência que deveria servir de exemplo na vida dele. Jamais deveria ter praticado uma conduta como essa. Minha decepção é inabalável e não tem volta. Todos esses de Oruro que se envolveram em fatos recentes não podem ter mais meu apoio", criticou o presidente do Corinthians, Mário Gobbi.