Arbitragem de várzea

Corinthians poderia ter tido melhor sorte diante do Flamengo, caso não fosse prejudicado

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

31 Julho 2017 | 03h00

O empate com o Flamengo em casa por 1 a 1 foi, de longe, a partida em que o líder do Campeonato Brasileiro mais perto esteve de amargar sua primeira derrota da competição. Isso, claro, graças à péssima atuação do bandeira Pablo Almeida da Costa, que anulou gol legal de Jô, ao ver impedimento em jogada em que a bola foi tocada para trás ao atacante corintiano. Erro juvenil, da página inicial da cartilha da arbitragem. O assistente deu, o auxiliar atrás do gol nada fez (como sempre) e o juiz entrou na do bandeira. Erro coletivo, portanto. Lambança generalizada do apito. O Corinthians poderia abrir dois gols de vantagem na etapa inicial.

Em campo, o Flamengo teve as melhores oportunidades e só não derrubou o líder porque Diego perdeu gol feito e a trave ajudou Cássio em jogada para trás do zagueiro Pedro Henrique.

Carille, que não fala muito de arbitragem, condenou o erro do bandeira. “Foi uma vergonha, principalmente em jogo deste tamanho. Há erros e erros. Esse foi um grande erro”. O treinador disse algo com o qual compactuo e defendo há tempos em relação ao futebol dito moderno: a necessidade de se melhorar os profissionais da arbitragem e não apenas entregar a função para o árbitro de vídeo. Carille foi na ferida, com coragem que poucos têm diante do discurso da modernidade.

Com árbitros (juiz, assistentes e auxiliares atrás do gol) tão ruins e sem personalidade, o jogo de 90 minutos ficará picado demais caso a Fifa aprove de vez, e no mundo todo, o uso do vídeo para corrigir erros em campo. Não compro a ideia de reclamar somente quando seu time é prejudicado, como faz a maioria dos cartolas dos clubes da primeira divisão. A arbitragem já engrossou para todas as bandeiras. Não é isso que está em discussão após o empate na Arena Corinthians. O que pega é a equipe mandante ser prejudicada por uma grosseria juvenil de várzea.

Com o ponto somado em Itaquera, o Corinthians encaminha a melhor campanha do primeiro turno, reeditando a escrita nos pontos corridos das vezes em que se sagrou campeão nacional nas temporadas de 2005 (com 22 times participantes), 2011 e 2015. São agora 32 partidas sem perder no ano, 17 deles em casa. Tudo isso faz desse Corinthians o melhor time da disputa.

Há, no entanto, um senão para o segundo turno. Alguns rivais já sacaram as armadilhas do grupo de Carille e estão cada vez mais precavidos para elas. O Cruzeiro mostrou o caminho. O Atlético-PR tentou se valer dele. O Flamengo foi quem mais ofereceu perigo, mesmo a despeito de um zaga no primeiro tempo que abusou dos erros de posicionamento e do direito de levar bolas nas costas – são cinco gols sofridos dessa maneira. Já é tempo de Zé Ricardo aprender e ensinar a marcar melhor. O fato é que o Corinthians vai precisar se reinventar no returno do Brasileiro para não ser novamente encurralado. Ainda no Itaquerão, Cássio ‘confirmou’ sua convocação para a seleção.

SÃO PAULO

Encontrei neste domingo o presidente do São Paulo, por acaso, e vi estampada na fisionomia de Leco a nova fase da equipe. A virada sobre o Botafogo, de 3 a 1 adverso, para 4 a 3 favorável, feito uma tempestade nos minutos finais, foi qualquer coisa de extraordinária para um grupo que até pouco tempo atrás tropeçava em sua própria falta da confiança.

NEYMAR

O sim do atacante, ao que tudo indica, será dado nesta semana, após compromissos comerciais dele e do Barcelona na China. Seu silêncio a tudo o que foi dito sobre seu futuro indica a transferência para o PSG. Neste caso, Neymar deixa o segundo time de sua história pela porta dos fundos. Foi assim no Santos, clube que o criou, e agora no Barcelona, equipe que o agigantou. Neymar merece a fama e as broncas.

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