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Copa 2014

Árbitro japonês não será punido por pênalti em Brasil e Croácia

Jamil Chade - O Estado de S. Paulo

13 Junho 2014 | 09h 47

Em declarações exclusivas ao 'Estado', presidente da Comissão de Arbitragem da Fifa defende postura de Yuichi Nishimura no lance

A Fifa rejeita a tese de que está ajudando o Brasil e sai em defesa do árbitro do jogo de abertura contra a Croácia. O presidente da Comissão de Arbitragem da entidade, Mássimo Busacca, que admite que o penalti foi uma "situação cinzenta", mas não prevê uma punição. Em declarações exclusivas ao Estado, o ex-árbitro evitou dizer se ele daria ou não o pênalti.

Mas não culpou o juiz japonês, Yuichi Nishimura, pela decisão e garantiu que o árbitro não será punido. Em uma coletiva de imprensa, logo depois, Busacca, admitiu que existem "situações cinzentas" no futebol. "Muitos dizem que foi penalti, muitos dizem que não. Mas o importante é manter sua decisão e explicar", declarou.

Na abertura da Copa, Brasil bate Croácia
Nilton Fukuda/Estadão

O atacante recebeu passe de Oscar na intermediária e acertou o chute no canto esquerdo de Pletikosa.

"Nós avisamos que não queremos ver jogadores sendo segurados. No jogo (Brasil x Croácia), foi uma questão cinzenta. Mas, da posição que ele estava e que era boa, ele viu o gesto de segurar e teve de tomar a decisão em menos de 1 segundo", afirmou. "O que precisamos saber é o que o árbitro viu na hora do lance", disse.

"E o que ele viu foi um zagueiro que colocou as mãos nos ombros de Fred. Pode-se discutir se o contato foi suficiente para derrubar o jogador ou não, mas o que ele viu foi o toque", explicou. Nishimura marcou um penalti a favor do Brasil no segundo tempo e que permitiu que a seleção virasse o jogo de abertura da Copa. O time da Croácia chegou a chamar a situação de "ridícula" e de um "circo".

Mas Busacca insiste que Fred não simulou a queda. "A simulação ocorre quando não há contato. Aqui houve sim", declarou. Thierry Weil, diretor de Marketing da Fifa, rejeitou qualquer favorecimento ao Brasil. "Cada um pode ter uma opinião. Mas não é o caso de pensar que estamos favorecendo os anfitriões. A Fifa não está agindo desta forma", declarou. "Estamos falando em uma decisão de um segundo. Nenhum erro será feito de propósito", insistiu. "Não dá tempo para pensar sobre onde eu estou. Ah, mas estou no Brasil. Temos que acreditar que o juiz é honesto. Isso é fantasia", respondeu Busacca.

EXCLUSÃO

Questionado se a Fifa irá excluir o árbitro japonês do restante do Mundial, Busacca negou. "Por favor, como vamos fazer isso?", disse. Durante a coletiva de imprensa, o chefe de arbitragem disse que uma avaliação ainda será feira. Mas deixou claro que "um jogo não é só um minuto. São 90 minutos". "É difícil ter uma conclusão. Não há como dar a resposta se estava errado. O contato existiu. Agora, temos situações que não é só branco ou preto", disse. "O árbitro estava em uma situação muito boa. Não podemos falar em punição. Existem situações de jogadores que permitem levar o árbitro a tomar uma decisão", justificou Busacca.

Segundo ele, a Fifa foi a cada uma das seleções explicar que os árbitros iriam punir jogadores que agarrassem. "Todos sabiam disso. Um vídeo foi mostrado aos 32 times e eles foram informados de que isso seria punido", afirmou. Mas questionado se, em sua opinião, o lance era um caso claro de falta, Busacca desviou. "Não é isso que é importante. O que precisamos saber é o que o juiz viu no momento do lance", completou.

Ele também pediu que treinadores "respeitem" as decisões dos árbitros e estima que, apesar da polêmica, os juízes da Copa não vão se sentir mais tensos. "Se eles estão aqui, é porque eles tem como lidar com responsabilidade", declarou.  "O futebol é emocional, adrenalina e reações. Eu também ja reagi assim. Mas o importante é permanecer com respeito. Somos humanos e ninguém deixa de cometer erros", disse. Questionado se estava tranquilo diante da polêmica, Busacca apenas disse:  "Eu dormi muito bem. O Brasil dormiu muito bem". declarou. 

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