Acervo/SPFC
Acervo/SPFC

Árbitro revela acordo entre Cruyff e Telê antes da final do Mundial de 1992

Técnicos se encontraram às vésperas do Mundial Interclubes da Fifa de 1992 para defender o futebol

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2017 | 07h00

Vinte e cinco anos atrás, os técnicos Johan Cruyff, do Barcelona, e Telê Santana, do São Paulo, fizeram um acordo pelo futebol bem jogado antes da final do Mundial Interclubes, em dezembro de 1992. 

São Paulo celebra 25 anos de seu primeiro título mundial

Na véspera do jogo no Estádio Nacional de Tóquio, no Japão, os dois lendários treinadores decidiram substituir qualquer jogador que simulasse contusão para ganhar tempo. E prometeram não fazer trocas para fazer cera, retardar o andamento da partida. Era um acordo pelo jogo limpo feito de maneira formal, no saguão do hotel. Os dois colocaram as mãos, uma em cima da outra, para selar o compromisso esportivo. 

A história foi revelada pelo árbitro argentino Juan Carlos Loustau, que apitou o jogo – ele foi considerado por 25 anos um dos melhores árbitros do mundo – , ao jornal espanhol Marca. Loustau também colocou sua mão direita para selar o acordo. 

“Eles falavam de futebol como se fosse algo sagrado. Diziam que interromper um jogo com lesões fingidas ou fazer uma substituição para ganhar tempo não era algo válido. Telê e Cruyff queriam muito ganhar a partida, mas não de qualquer maneira, não com trapaças”, disse o árbitro que esteve no Mundial de 1990 e nas edições de 1989 e 1991 da Copa América. 

Os três estavam hospedados no mesmo hotel. O encontro durou quase quatro horas na madrugada do dia 11 de dezembro de 1992. “Eu não podia dormir naquele noite por causa do fuso horário. São doze horas de diferença com a Argentina”, conta o árbitro. “Quando desci ao lobby do hotel, o Telê me viu e disse que ia me apresentar ao Cruyff”, contou o juiz. 

A final de 1992 reuniu jogadores lendários também. De um lado estavam Stoitchkov, Michael Laudrup, Pep Guardiola, Koeman e Zubizarreta. Do lado havia Muller, Palhinha, Raí, Cerezo, Cafu e Zetti. O time espanhol abriu o placar com um gol de Stoitchkov, mas o São Paulo venceu por 2 a 1, de virada, com dois gols de Raí. Foi o primeiro de seus três títulos mundiais – os outros dois foram em 1993 e 2005.

De acordo com o ex-árbitro, os dois treinadores ainda se disseram aborrecidos com cruzamentos para a área sem objetividade.

“Em quarenta anos de carreira, nada me impressionou tanto como ter participado daquela conversa. Foi a coisa mais enriquecedora que o futebol me deu. Eles estavam convencidos de que perder jogando bem não era fracassar e que, para isso, seria necessária uma partida leal. O atleta que não respeitasse isso seria retirado de campo”, afirmou Lousteau, que completou 70 anos no mês de julho deste ano. 

Mais conteúdo sobre:
Johan Cruyff São Paulo Futebol Clube

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.