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Arouca é chamado de 'macaco' após goleada do Santos em Mogi Mirim

O Estado de S. Paulo

07 Março 2014 | 08h 24

Em nota oficial, jogador classifica atitude como 'lamentável e inaceitável': arbitro Vinicius Gonçalves Dias Araújo não relata o fato na súmula

MOGI MIRIM - Após ser chamado de 'macaco' no Estádio Romildo Ferreira, em Mogi Mirim, o volante Arouca repudiou as ofensas racistas que sofreu de torcedores na vitória do Santos por 5 a 2 contra o time da casa. Em nota, o atleta, que fez o terceiro gol da equipe praiana no jogo, classificou como "lamentável e inaceitável" os xingamentos ouvidos na noite da última quinta-feira, em partida válida pelo Campeonato Paulista.

Arouca fez questão de destacar que não possui vergonha de sua cor e que o futebol brasileiro construiu sua história com jogadores negros. "Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, que foi o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá para jogar, dando a entender que um negro igual a mim não serve para defender a seleção brasileira. Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros", disse.

No comunicado, o volante santista também lembrou das ofensas racistas sofridas por Tinga, em jogo do Cruzeiro contra o Real Garcilaso pela Libertadores. "Eu sei muito bem de onde venho e de toda a minha luta para chegar aonde cheguei. Por isso, sentir na pele o que aconteceu comigo - logo depois do que fizeram com o Tinga outro dia e também do caso do juiz no Rio Grande do Sul - me deixa muito decepcionado", lamentou Arouca.

O técnico Oswaldo de Oliveira protestou contra a situação durante a coletiva após a partida. "A minha resposta para isso é o silêncio. Não farei mais nada". O treinador cobrou uma ação maior das entidades que organizam o futebol brasileiro. "Não vou me prender ao problema do Arouca, mas à questão da súmula. Tudo o que se passa no jogo só pode ter relevância se estiver na súmula. Isso tem de ser coibido, como violência, brigas e uma série de outras coisas. Tem gente que gosta de aparecer negativamente, acho isso baixo, e isso tem de ser severamente punido, como tantos outros eventos que temos acompanhado recentemente. A euforia da Copa do Mundo tem nos contagiado para o evento, mas deveríamos ser mais severos".

O árbitro Vinicius Gonçalves Dias Araújo, que apitou o jogo com o placar de 5 a 2 para a equipe da baixada santista, não relatou nada na súmula da partida.

NOTA DE AROUCA

"Na saída do jogo desta quinta-feira, contra o Mogi Mirim, fui alvo de insultos racistas de um torcedor do time adversário. É lamentável e inaceitável que ainda haja espaço para esse tipo de coisa hoje em dia. Isso só mostra que o ser humano ainda tem muito a evoluir e a crescer, que não estamos nem perto de um mundo que viva a harmonia entre as pessoas e todas as suas diferenças.

Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, que foi o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá para jogar. Dando a entender que um negro igual a mim não serve para defender a seleção brasileira. Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros. Não ouvi os gritos de 'macaco' que alguns repórteres disseram ouvir, mas, caso tenha realmente acontecido, é ainda mais triste.

Eu sei muito bem de onde venho e de toda a minha luta para chegar onde cheguei. Por isso, sentir na pele o que aconteceu comigo hoje - logo depois do que fizeram com o Tinga outro dia e também do caso do juiz no Rio Grande do Sul - me deixa muito decepcionado. Acabou com a alegria pela boa atuação do nosso time, pelo belo gol que fiz, ou seja, pelo que deveria ser a essência do esporte.

O futebol é um espelho da nossa realidade, e isso não se resume apenas a xingamentos racistas. Continuam matando e morrendo por torcerem por um time diferente do outro. Espero, sinceramente, que casos como esse sejam severamente punidos, pois, enquanto isso não acontecer, nada vai mudar. A impunidade e a conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si. Somente discursos e promessas não resolvem a falta de educação e de humanidade de alguns"

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