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Auditoria mostra que Corinthians precisa pagar quase R$ 2 bilhões pela arena

Valor pode baixar para R$ 1,338 bilhão caso o clube consiga repassar para a construtora os CIDs da prefeitura. Odebrecht deveria pagar multa por atraso na obra

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 16h01

Conselheiros do Corinthians tiveram acesso a uma auditoria contratada pelo próprio clube para averiguar tudo o que foi feito ou deixou de ser feito na  Arena Corinthians. Um dos pontos revelados pelo trabalho é o fato de a obra ainda custar mais R$ 1,338 bilhão, considerando juros e encargos até agosto (de 2017) e descontando o valor dos CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) da prefeitura. Sem os CIDs, a dívida sobe para R$ 1,8 bilhão. Além disso, a Odebrecht deixou de realizar R$ 150 milhões em obras e deveria pagar uma multa de R$ 22 milhões pelo atraso na entrega do estádio.

O documento feito pela Claudio Cunha Engenharia e Construções e apresentado aos conselheiros do Corinthians na noite da última segunda-feira. Segundo a auditoria, considerada independente, além da multa, a construtora ainda deveria pagar também por reparos feitos na obra no valor de R$ 60 milhões. Assim, o Corinthians teria crédito de R$ 230 milhões.

Em alguns setores em que a obra não foi finalizada, o Corinthians tem dificuldade para realizar eventos ou fazer algum tipo de negócio no local. A auditoria aponta que o prejuízo do clube chega aos R$ 100 milhões até hoje por causa de obras inacabadas em camarotes e outros setores da arena.

Caso o Corinthians consiga vender todos os CIDs, deve arrecadar algo em torno de R$ 454 milhões. CIDs são títulos comprados por empresas para abater o valor pago com impostos municipais. Os papéis foram emitidos pela prefeitura como contrapartida de benefícios para a economia da Zona Leste e pela abertura da Copa.

O valor seria um alívio para as contas do clube, mas o Corinthians tem muitas dificuldades para vender os papéis. A auditoria sugere que o clube negocie com a Odebrecht ceder os CDIs para a construtora como forma de abater parte da dívida, que está na casa de R$ 976 milhões.

O Corinthians negocia com a Caixa o refinanciamento da arena. Hoje, todo o valor arrecadado no estádio vai para o fundo criado para pagar a obra. A ideia da diretoria corintiana é conseguir ficar com parte do dinheiro levantado, seja pela renda de bilheteria dos jogos ou eventos realizados, para a utilização em outros setores, como contratação de jogadores e investimentos no clube social.

A Odebrecht disse ao Estado desconhecer o resultado da auditoria e que não recebeu ainda qualquer documento sobre o assunto. A construtora ainda voltou a afirmar que não deixou obras inacabadas. Apenas tinha um valor máximo de obras, de R$ 985 milhões, e que o arquiteto e o próprio Corinthians solicitaram mudanças no projeto inicial e essas alterações fizeram alguns itens custarem mais do que estavam planejados. O clube decidiu não realizar o que estava faltando, pois o valor da arena seria ainda maior.

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