Gilberto Almeida/Estadão
Gilberto Almeida/Estadão

Autoridades espanholas dizem ser 'provável' pedido de prisão de Ricardo Teixeira

Espanha teria de fazer o requerimento oficial ao Brasil através de carta rogatória

Jamil Chade, Correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2017 | 11h50

Autoridades na Espanha afirmam que um pedido de prisão ao Brasil contra Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, é algo "provável", mas que dependerá do andamento das investigações sobre o material encontrado nas casas e escritórios de Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, na Espanha e Andorra. A informação foi dada ao Estado pelas autoridades em Barcelona que confirmam que o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol é alvo de investigação, que corre em segredo de justiça. 

Rosell e mais quatro pessoas foram detidas nesta terça-feira na cidade catalã. Mas os investigadores revelaram à reportagem que essa é apenas a primeira etapa do processo. Com base nas contas rastreadas, documentos e ligações, uma nova onda de prisões pode ser declarada a dirigentes esportivos. Diante do envolvimento de Ricardo Teixeira, não se exclui que uma carta rogatória seja enviada à Justiça brasileira pedindo a prisão do ex-presidente da CBF no Brasil ou pelo menos para que ele seja ouvido em depoimento. 

Fontes envolvidas no caso informaram que o nome de Teixeira aparece de forma "consistente" no caso, principalmente com o uso da seleção brasileira para a lavagem de dinheiro.

O caso apenas avançou diante da cooperação entre Espanha, EUA e Andorra. Mas, no caso do Brasil, o País ainda não pôde cooperar com a Justiça dos EUA na troca de dados sobre os suspeitos. O Estado apurou que um recurso foi apresentado impedindo que o Ministério Público Federal repasse aos americanos informações solicitadas sobre dirigentes como José Maria Marin, Marco Polo del Nero (atual presidente da CBF) e Ricardo Teixeira.

No próximo dia 27, o caso que abalou o futebol mundial completa dois anos. Dos mais de 40 dirigentes e empresários indiciados pelo desvio de mais de US$ 200 milhões (R$ 653 milhões na cotação atual), apenas cinco dos que estão detidos se recusam a admitir culpa, entre eles José Maria Marin, o ex-presidente da CBF, preso nos EUA.

Nesse período, os investigadores americanos fecharam acordos de cooperação com quase uma dezena de governos pelo mundo, inclusive diversos latino-americanos. 

Mas, conforme o Estado revelou em 2015, uma decisão judicial no Brasil impediu a cooperação com os EUA, o que freou iniciativas do MP no País de confiscar recursos ou o envio aos americanos de documentos relativos aos três dirigentes. Uma juíza no Rio havia determinado que a troca de informações não poderia ocorrer e que apenas as mais altas instâncias poderiam dar um sinal verde para isso.

À época, o MP federal entrou com um recurso, alegando que a decisão de um tribunal no Rio de Janeiro feria os tratados internacionais assinados pelo Brasil. Em março, o Superior Tribunal de Justiça deu razão ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e autorizou a cooperação. 

Mas agora, um novo recurso ainda precisará ser julgado, já que a defesa entrou com um agravo. A iniciativa promete arrastar o caso por mais alguns meses e uma Corte Especial do STJ decidirá

Em Brasília, procuradores indicaram que o hiato entre o pedido americano e sua execução pode ter permitido que os recursos, contas e indícios tenham sido destruídos, fechados ou transferidos.

RICARDO TEIXEIRA É INVESTIGADO

Além do caso com Rosell, os americanos investigam Teixeira por contas controladas pelo ex-presidente da CBF em pelo menos três bancos: o UBS, Banca del Gottardo e BSI.

Em apenas duas dessas contas, um total de US$ 800 mil (R$ 2,6 milhões na cotação atual) foram transferidos de contas nos EUA para a Suíça, envolvendo a Somerton, empresa controlada pelo também brasileiro José Margulies. Ele é suspeito de agir como testa de ferro para o empresário J. Hawilla e realizar os pagamentos de propinas para dirigentes do futebol mundial. A empresa de fachada de Hawilla, portanto, também teria abastecido as contas suíças de Teixeira.

A suspeita do FBI é de que Teixeira usaria um nome de fachada para não ter sua identidade revelada. Mas aparecia como beneficiário das contas. O "laranja" seria Willy Kraus, dono da Kraus Corretora de Câmbio, no centro do Rio de Janeiro. Para o FBI, Teixeira mantinha o "efetivo controle" sobre essas contas.

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