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Avanço e bloqueio

Resultados nos estaduais, sejam animadores ou decepcionantes, há tempos se transformaram em casca de banana, prontos a derrubar incautos e apressados. Antes de mais nada, porque o nível desse tipo de competição despencou. Em segundo lugar, por se tratar de período de começo de ano, com os times a buscar elenco e formação ideais. Muita água tem para rolar. Daí, ser necessário e prudente o desconto em elogios e críticas.

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Antero Greco

15 Fevereiro 2016 | 03h00

Também não dá pra ficar indiferente ao que as equipes mostram logo de cara; no mínimo a postura delas sinaliza tendência para a temporada. Pelo tira-gosto inicial, o Corinthians deixa esperança, sobretudo por se refazer com rapidez do terremoto que varreu meia dúzia de titulares. Tite repete a fórmula com gente nova e sente que pode tirar caldo disso. 

E o São Paulo? Bem, a turma tricolor parece disposta a reprisar o roteiro de 2015 e a comportar-se como incógnita, apta para provocar fortes tremores na torcida. Deveria desenhar no uniforme um ponto de interrogação como reforço do símbolo tradicional. A rapaziada de Edgardo Bauza, por enquanto, esbanja presunção com bola murcha.

O clássico não foi bacana – longe disso. Teve momentos (a maioria) horrorosos, arrastados, truncados e catimbados. Perdas de tempo. Lances individuais empolgantes, em que sobressaíram técnica e ousadia? Nem pensar.

O máximo de atrevimento se viu em toquinhos de efeito sem consequência prática. Michel Bastos foi mestre na arte do não falar nada com a bola nos pés, embora tenha compensado com movimentação intensa e suor. Não desapareceu em campo como Ganso, sem prevenção contra o camisa 10 e para citar exemplo de esforço inútil. Outros seguiram caminho semelhante.

Em resumo: não teve ninguém com peito e qualidade para desequilibrar. Uma pena, pois no Itaquerão estavam dois dos melhores times do Brasil e concorrentes na Libertadores. Com futebol de jogo de empresa em churrasco. O público sempre espera algo relevante de rivais de currículo respeitável.

Ainda assim, se o Corinthians esteve melhor – ou menos ruim –, o segredo está no técnico. Tite pinça jogadores com a delicadeza do ourives, para encaixá-los num conceito de jogo formado e aprovado. Sem alarde ou queixumes, por causa da debandada de janeiro, adapta um Rodriguinho aqui, um André ali, um Giovanni Augusto acolá, um Yago além para recompor o grupo.

Não há o craque, infelizmente; mas o sistema funciona. O prêmio são as quatro vitórias acumuladas no Paulistão. Não custa repetir: avanço existe, com moderação. Os desafios importantes virão no torneio sul-americano e quando começar o Brasileiro. Agora se assiste a uma espécie de esquenta.

Conceda-se o benefício da paciência também ao São Paulo, por princípio de isonomia com os corintianos. Com a agravante de que a estratégia de Bauza, seja qual for, não está impregnada entre os jogadores. O argentino adverte que, no estágio atual, anda de olho no sistema defensivo. Na concepção dele, o sucesso passa por defesa segura. Então, coloque mãos à obra, com empenho redobrado, pois a retaguarda tricolor comete festival de bobagens, e não foi só nos lances de gol do clássico de ontem. Não há nem a compensação do meio-campo criativo e do ataque perturbador.

O São Paulo exala indefinição, estimula a sensação desagradável de bloqueio, de máquina emperrada. A Libertadores bate à porta e, ao menos para encerrar a crônica sem tom muito pra baixo, quem sabe com desafios maiores os boleiros acordem?

ACORDA, PALESTRA!

por falar em sonolência, que desastre a largada palmeirense no estadual. Mamma mia! O técnico Marcelo Oliveira tem uma montanha de opções, jogadores chegam a rodo e ele não consegue montar time equilibrado. Até agora, com reservas ou com titulares, sobram espetáculos de baixo nível. A derrota para o Linense deixou gosto amargo, aqueles de frutas que “amarram”. Que se prepare para cobranças.

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