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Barbas de molho

Antero Greco

O São Paulo atual lembra Corinthians e Palmeiras de outros tempos. Enquanto tricolores viviam em mares serenos, os dois rivais tradicionais navegavam em águas turbulentas. Raros os momentos em que tinham sossego.

Pois a onda virou. Agora é o São Paulo quem não consegue período razoável de paz. Depois de baixar a poeira com algumas vitórias no Pacaembu, ontem voltou a decepcionar na casa alugada. Na derrota por 3 a 1 para o São Bernardo, e de virada, cometeu um festival de gafes, erros, trapalhadas. Saiu de campo vaiado, o que ultimamente tem sido rotina.

Pior: a intenção do técnico Edgardo Bauza era a de testar a equipe para o jogo de quinta-feira com o River, pela Libertadores. E ele concluiu, depois do jogo, que a missão em Buenos Aires será árdua. A equipe principal, o que tem de melhor no momento, é capaz de ser engolida por rival mediano.

O primeiro tempo até que foi passável. O São Paulo tomou iniciativa, teve pênalti perdido por Calleri com menos de 5 minutos e abriu vantagem com Ganso. No segundo, despencou mais do que o dólar durante a semana. Nada deu certo. Num passe de mágica, desmantelou-se da defesa ao ataque. Tomou gols como equipe pequena, não teve poder de reação, entregou-se.

Se tiver a incompetência de repetir a dose, é candidato a levar surra dos atuais campeões da Libertadores. Nesa toada, muita gente pode colocar logo as barbas de molho. Incluído aí o treinador. E o mote de sempre: Estadual virou enorme casca de banana.

LENDA VIVA

Vira e mexe a gente lê alguma coisa de clássicos charmosos na Inglaterra, na Espanha, na Itália, na França, na Alemanha... Episódios romanceados de combates lendários entre grandes equipes. Mas aqui em casa, há duelo que ultrapassou o portal centenário, tem tantas reminiscências quanto os dos gringos e se tornou dos maiores do País. Choque dos alvinegros Santos x Corinthians, mais antigo do Paulista, com 103 anos de história.

Não se trata de joguinho à toa – e o torcedor atento sabe como, desde 1913, esses clubes arrebatam plateias. Já decidiram Brasileiro e Paulista, cada lado ostentou tabu a favor – o dos santistas ficou famoso, por ir de 1957 a 1968. Goleadas não faltam; antes, norteiam o tira-teima desde o nascedouro. Na primeira vez, disputada no Parque Antarctica original – sim, o campo da cervejaria e que depois, por décadas, seria do Palmeiras –, o Santos lascou 6 a 3, no Campeonato Paulista. E tinha um jogador “de linha” chamado Urbano Caldeira, que viria a emprestar o nome para batizar a Vila Belmiro.

Não ficou só nisso: em 1927, o Santos fez 8 a 3; em 1932, ganhou de 7 a 1; em 1933, teve um 6 a 0. Em 1958, mandou 6 a 1, sempre no Paulista, com quatro gols de um rapazinho, o tal de Pelé. O Rei foi o grande carrasco na vida corintiana, e deixou a marca dele 50 vezes nas redes do rival. Em 1964, teve um 7 a 4, no Pacaembu. A última surra santista foi em 2014, apenas por 5 a 1.

Calma lá, Fiel. Tem jornadas memoráveis em favor do Corinthians. A mais impiedosa, e jamais superada, foi aquela que terminou com 11 a 0, em 1920! Você tinha nascido?! Nem eu, mas consta dos alfarrábios. Goleadas por 5 a 1 foram várias – e até pouco tempo atrás, como em 1999 e 2000. Na temporada de 2005, o Corinthians fez 7 a 1, com três de Tevez. A conversa sobre o pega alvinegro iria longe. E papo bom.

O jogo de hoje não muda a vida de ninguém. Para Dorival Júnior é nova chance para refinar o ajuste na mais atualizada versão dos Meninos da Vila. Para Tite, oportunidade de continuar com observações e testes na etapa de reconstrução do time. O Corinthians tem 17 pontos, mas crava o olho mesmo é na Taça Libertadores. O clássico, porém, é lenda viva.

QUAL PALMEIRAS?

A torcida palestrina deve estar a perguntar-se que versão alviverde verá hoje no jogo com o Capivariano, no Allianz: aquela do primeiro tempo, impecável, contra o Rosario, ou a pavorosa da etapa final? Está na hora de a gangorra parar.

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