Batistuta: ?inferno astral? no Roma

Em 11 temporadas no futebol italiano, o centroavante argentino Gabriel Batistuta está vivendo, definitivamente, seu pior momento. Sem marcar gols há quase três meses, o atacante de 33 anos - que foi ?esquecido? pela seleção argentina durante as eliminatórias - está tendo de conviver agora com mais um problema. Para torcedores e a imprensa italiana, ele foi o responsável pela eliminação do time na primeira fase da Liga dos Campeões, após a derrota por 2 a 0 para o Liverpool, nesta terça-feira. Depois de amargar a reserva, Batistuta foi escolhido pelo técnico Fábio Capello para iniciar a partida contra os ingleses, apesar da ótima fase de Montella, o ídolo dos ?tifosi?. O argentino decepcionou e teve de ser substituído no segundo tempo. Para o tradicional Corriere dello Sport, Capelo ?pagou caro por um erro de avaliação?. Em tom semelhante, La Gazzetta dello Sport, chamou de "fracasso de uma escola? a eliminação de todas as equipes italianas da Liga. Sobre Batistuta, não foi nem um pouco condescendente: "Batistuta traiu a confiança de Capello ao disputar meio tempo em absoluto anonimato,? escreveu. ?Porque Capello deixou Montella no banco apesar de estar vivendo um momento espetacular??, pergunta o diário romano Ill Messaggero. Os números deixam claro a fase terrível pela qual passa o argentino. Ele se despediu desta que pode ser a sua última Liga dos Campeões sem marcar nenhum gol. Na Liga Italiana conseguiu fazer apenas seis na temporada - o último deles, no dia 27 de janeiro deste ano. Para um jogador que até pouco tempo era insubstituível, os novos tempos mostram uma realidade completamente diferente. Hoje, dificilmente joga uma partida inteira. Nos últimos sete jogos disputados pela Roma, Batistuta começou jogando em dois (Barcelona e Liverpool); jogou apenas alguns minutos em outros três (Peruggia, Lecce e Galatasaray) e nas duas restantes sequer chegou a entrar em campo. "Não sinto que minha carreira terminou. Acho apenas que preciso de um pouco mais de sorte?, disse o atacante, que já marcou 180 gols no ?calcio?. Para ele, o problema é a tática usada por Capelo. ?Lamentavelmente, o técnico usa um esquema quando eu jogo e outro quando estou fora?, reclama. Batistuta diz que quando ele não joga, Capelo coloca dois jogadores à frente e um terceiro na meia, auxiliando as jogadas de ataque. ?Agora eu estou jogando mais para os meus companheiros, pois é isso que o técnico me pede?, explica-se.

Agencia Estado,

20 Março 2002 | 13h03

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