Werther Santa/Estadão
Werther Santa/Estadão

Seis meses de Borja no Palmeiras: mais jogos e menos gols do que na Colômbia

Atacante contratado por R$ 33 milhões completa um semestre no clube como reserva e em jejum de quase dois meses sem marcar

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2017 | 17h00

O reforço por quem a torcida do Palmeiras lotou o aeroporto de Guarulhos para fazer festa na chegada ao clube virou coadjuvante seis meses depois. Miguel Borja deve começar o segundo turno do Campeonato Brasileiro, neste domingo, às 16h, contra o Vasco, em Volta Redonda, no banco de reservas à espera de uma nova oportunidade para construir semestres à altura dos que viveu em 2016.

O colombiano veio do Atlético Nacional por R$ 33 milhões, a contratação mais cara do futebol brasileiro no ano. Embora tenha marcado gol nos dois primeiros jogos, o atacante passou a viver períodos de baixa. Na quarta-feira, enquanto o Palmeiras era eliminado na Copa Libertadores pelo Barcelona, do Equador, Borja sequer entrou e viu o jogo inteiro do banco de reservas. 

Dias antes, o colombiano entrou em campo contra o Atlético-PR, no Allianz Parque, e acabou xingado por parte da torcida. Borja soma dez partidas e quase dois meses sem marcar.

Dentro do clube a explicação para a demora do atacante em render se resume em adaptação. Os técnicos Eduardo Baptista e Cuca veem nele a dificuldade em entender o estilo de jogo brasileiro, mais intenso do que na Colômbia. Para tentar melhorar, o atacante recebe orientações individuais e vê vídeos sobre posicionamento. 

Nos bastidores, Borja é considerado tímido. O idioma é um problema superado pouco a pouco, mas os colegas mais próximos dele ainda são o compatriota Mina e o venezuelano Guerra, ex-companheiro de Atlético Nacional. 

"O Borja é querido por todos e está cada vez mais em casa. A fase de adaptação dele já está acabando ele já provou que tem qualidade. Ele é bastante brincalhão com o grupo, está se soltando", disse o zagueiro Luan.

A carreira do jogador de 24 anos se construiu em cima de ciclos semestrais marcantes. Até o começo de 2016, por exemplo, Borja era um atacante de carreira irregular. Nos primeiros seis meses do ano passado, porém, se destacou pelo modesto Cortuluá e foi o artilheiro do Campeonato Colombiano.

O feito notável para quem jogava em time pequeno chamou a atenção do Atlético Nacional, para onde o atacante se mudou em julho. Nos quatro primeiros jogos, todos pela Libertadores, ele fez cinco gols, foi campeão e passou a se firmar nas convocações da seleção do país, inclusive para a disputa da Olimpíada.

A ascensão meteórica fez o time de Medellín receber propostas do exterior pelo atacante. O Palmeiras precisou vencer a concorrência de clubes chineses para conseguir em fevereiro fechar com Borja. Desde então, o atacante passou seis meses no Brasil sem conseguir repetir os semestres que alavancaram a sua carreira em 2016.

No Palmeiras todos afirmam apoiar e ter a paciência para que Borja evolua. No momento, pelo clube brasileiro ele tem mais jogos e menos gols do que teve em seis meses tanto pelo Cortulá como pelo Nacional.

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Reinaldo Rueda: "Borja precisa de acompanhamento e afetividade para render'

Técnico colombiano campeão da Libertadores conta ter investido em trabalho individualizado para desenvolver o potencial de Borja

Entrevista com

Reinaldo Rueda

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2017 | 17h00

Um dos grandes responsáveis pela carreira de Borja ter deslanchado é o treinador Reinaldo Rueda. O colombiano de 60 anos tirou o atacante do pequeno Cortuluá e o levou para o Atlético Nacional, onde estiveram juntos na conquista da Copa Libertadores do ano passado. Em entrevista exclusiva ao Estado, o técnico relembrou o trabalho realizado com o jogador para que se adaptasse à nova equipe.

Borja foi muito importante para o seu time no ano passado. O que o Palmeiras precisa fazer para resgatar o bom futebol dele?

Eu penso que ele tomou uma decisão muito difícil ao ir para o Palmeiras. O Borja precisa de bastante acompanhamento. Além dos treinos, ele precisa se sentir muito cercado na parte afetiva. Com continuidade e bom acompanhamento, com certeza ele vai desenvolver a sua capacidade como grande goleador.

Como foi feito esse trabalho de acompanhamento no Atlético Nacional?

Esse trabalho foi determinante para o sucesso. A forma como o recebemos no clube, para fazê-lo se sentir importante, foi essencial para o êxito. Ele respondeu ao estímulo tanto no treinamento, como no coaching individual que fizemos com ele exclusivamente para potencializar a sua capacidade como atacante. Ele tinha saído de um time pequeno, o Cortuluá, e chegar a uma equipe como o Atlético Nacional foi um salto muito grande, uma diferença enorme. Então, foi preciso um acolhimento para que não se sentisse assustado no novo clube.

O Guerra veio junto com o Borja do futebol colombiano, mas parece já estar mais adaptado ao Palmeiras. Como explica essa diferença entre os dois?

Guerra é um jogador mais experiente do que Borja, com mais vivência internacional. Fora isso, Guerra tem uma inteligência fora do comum como jogador de futebol. Com um toque ele é capaz de mudar a velocidade de uma jogada. Se derem chance a Borja, ele pode evoluir igual.

 

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Juliana Sosa Góngora, Especial para o Estado*

12 Agosto 2017 | 17h00

Miguel Ángel Borja chegou ao Atlético Nacional depois de ser destaque com Cortuluá na ligal local e veio como reforço para a Copa Libertadores. Uma parte da torcida se mostrou cética com a confiança dada pelo técnico, Reinaldo Rueda, pois o considerava um atacante de times pequenos. O homem de Tierralta, no departamento de Córdoba, mostrou sua humildade desde o princípio e deixou que fossem suas atuações em campo falassem por ele.

Apenas um jogo bastou para o atacante silenciar seus críticos e ganhar seguidores: foi nada mais que no mítico estádio do Morumbi na semifinal da Copa Libertadores, contra o São Paulo. Borja anotou os dois gols da vitória por 2 a 0 do time colombiano. Na volta, Miguel Ángel fez mais dois gols e guiou o time Verdolaga à grande final do torneio continental. Nessa etapa, contra Independiente dell Valle, fez mais um gol, o do sonhado título.

Em quatro jogos, ele expôs todo o seu potencial e o entendimento do funcionamento coletivo. Demonstrou com feitos que Rueda não se equivocou ao contar com ele, que ganhou com todos os méritos o prêmio de Melhor Jogador da América, entregue pelo jornal El País. O segundo semestre de 2016 não foi tão positivo, mas os torcedores do Nacional lamentaram a sua partida para jogar pelo Palmeiras.

O que muitos consideravam como um passo precipitado, Borja viu como a sua grande oportunidade de brilhar em nível internacional e, até o momento, não conseguiu. Apesar de contar com companheiros como como Yerry Mina e Alejandro Guerra, sua adaptação não tem sido fácil e chovem sobre ele críticas no Brasil e na Colômbia. Talvez por sua tímida personalidade ou juventude, ainda não consegue se consolidar. O certo é que tem condições e talento para triunfar, se estiver cheio de confiança e tiver continuidade na formação titular.

* Juliana Sosa Góngora, jornalista em Medellín do site FutbolRed

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