Botafogo estuda virar clube-empresa

Além de não figurar mais no grupo de elite do futebol brasileiro, o Botafogo não tem receita suficiente nem para pagar os juros de sua dívida, superior a R$ 100 milhões. Quase toda quantia que chega às contas do clube logo é bloqueada por oficiais de justiça. Para piorar, o patrimônio do Alvinegro carioca não chega ao total do débito, vinculado a questões trabalhistas, cíveis e fiscais. Esse quadro sombrio, de perspectiva duvidosa, deve resultar na criação da Companhia Botafogo, com duas subsidiárias: a Botafogo Futebol SA e a Botafogo Licenciamento SA. A Companhia teria como único proprietário o Botafogo de Futebol e Regatas e controlaria integralmente as duas empresas. A primeira se encarregaria da exploração comercial do futebol, em todas as suas modalidades, com o poder de dirigir o futebol, indicando treinador e seus auxiliares, e de vender e comprar passes de jogadores. A Botafogo Futebol SA seria detentora dos direitos federativos dos atletas. Já a Botafogo Licenciamento SA exploraria as marcas e demais propriedades intangíveis - que representam o patrimônio do clube e, portanto, não podem ser incluídas em transações. O presidente Bebeto de Freitas acredita que a mudança vai tornar o Botafogo viável e não vê outra possibilidade de administrá-lo. Fazia parte de suas promessas de campanha transformá-lo em clube-empresa. Mesmo assim, Freitas tem sofrido problemas para levar adiante a idéia. Convocou-se uma sessão do Conselho Deliberativo para 11 de março, a fim de analisar a criação da Companhia Botafogo. Outros segmentos do clube vinham estudando a proposta e tudo parecia bem encaminhado para a sua aprovação. No entanto, um grupo de torcedores e associados do Botafogo invadiu o local da reunião e impediu a votação. Essa parcela exige mais transparência da diretoria do clube para o surgimento da Companhia Botafogo. "Eu gostaria de ter o direito à dúvida, mas não posso. Não há outro caminho para o clube sair da atual situação", disse Bebeto de Freitas, eleito no final de 2002. "Queremos criar um instrumento que permita uma negociação com os inúmeros credores." A intenção do Botafogo é a de ser o primeiro clube do Rio a se adequar à Medida Provisória 79/2002. Para evitar tumulto, Bebeto de Freitas mantém em sigilo a data da nova reunião do Conselho. Pioneiro - Entre os grandes clubes de futebol do País, o Coritiba largou na frente para se adaptar à Medida Provisória 79. Em outubro, constituiu a Coritiba Futebol SA e no final de janeiro entrou com um pedido à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para fazer um lançamento público de ações. Aguarda resposta prevista para o final de abril. "Estamos abrindo capital; será um grande passo para deixar nosso clube em condições administráveis", disse o presidente do Coritiba, Giovani Gionedis. A proposta à CVM prevê a emissão de R$ 10 milhões em ações preferenciais ao preço unitário de R$ 1. A princípio, elas estarão disponíveis apenas no mercado de balcão (onde são negociados papéis de menor interesse dos investidores). "A moralização do futebol vai começar quando o dirigente for passível à responsabilidade criminal e cível; daí a impórtância do clube-empresa", afirmou Gionedis. A diretoria da Coritiba Futebol SA divide-se com a do clube. O estádio Couto Pereira foi cedido por 30 anos à empresa, também detentora agora do centro de treinamento do Coritiba, no bairro de Atuba, complexo que dispõe de cinco campos de futebol. "O clube continua sua vida normalmente, mas sem fins lucrativos. Queremos o maior número possível de parceiros."

Agencia Estado,

23 Março 2003 | 11h28

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