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Copa 2014

Brasil joga para ir às oitavas em primeiro, sem escolher rival

Robson Morelli - Enviado especial a Brasília - O Estado de S. Paulo

22 Junho 2014 | 22h 22

Contra Camarões, seleção quer a liderança do Grupo A, e não se importa em enfrentar Chile ou Holanda no primeiro mata-mata

O Brasil joga nesta segunda-feira, no Estádio Mané Garrincha, para confirmar sua classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo, aumentar seu poder de fogo na competição e recuperar a confiança da torcida brasileira, arranhada após o empate sem gols contra o México em Fortaleza. Portanto, o jogo contra Camarões, às 17 horas, na Capital Federal, vale muito para a seleção brasileira, que não abre mão de terminar a etapa de grupos em primeiro lugar do Grupo A, dando de ombros, de acordo com todos os jogadores, para quem vai enfrentar na primeira partida da fase de mata-mata.

O Brasil, se quisesse, poderia escolher seu adversário entre Holanda e Chile, que se enfrentam para decidir suas posições no Grupo B - chave que faz o cruzamento com o grupo brasileiro - quatro horas antes do jogo da seleção, de modo que uma combinação de resultados poderia dar ao time de Felipão o rival teoricamente mais fraco. Mas isso seria arriscado demais. Não se faz isso em Copas. “Temos de jogar e ganhar”, disse o treinador, sem rodeios.

Felipão já afirmou ao Estado que não gostaria de enfrentar os chilenos, de Valdivia e Alex Sánchez, e que a projeção da comissão técnica era encarar a Holanda nas oitavas, num confronto ainda mal resolvido para os dois lados - os holandeses eliminaram o Brasil na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010.

Dida Sampaio/Estadão
Seleção tenta depender menos de Neymar

A vitória em Brasília é fundamental para o orgulho nacional, mas o Brasil nem precisaria dela para se garantir, ao menos em segundo lugar. Bastaria a Croácia não vencer nem empatar com o México no mesmo horário. “Mas escolher resultado é uma teoria. Queremos o primeiro posto. Esse é o nosso objetivo. Você pode pagar caro se escolher o caminho errado. Temos então de seguir o que nos é reservado”, disse Daniel Alves.

No enredo traçado pela comissão técnica, é nesta terceira partida da Copa que o Brasil deve começar a voar, física e taticamente. E isso nada tem a ver com a fragilidade de Camarões, na teoria o oponente mais modesto da chave e abatido em sua dignidade por já estar eliminado e sem mais nada a almejar na competição - quando chegaram em Brasília, os jogadores visitaram o cônsul do seu país.

Felipão não aceita sequer pensar que seus atletas caiam nessa armadilha, sobretudo numa Copa em que a campeã Espanha é eliminada na primeira fase e que no “Grupo da Morte”, com Inglaterra, Itália, Uruguai e Costa Rica, sejam os costa-riquenhos os primeiros a se garantir. “Por isso temos de pensar em ganhar. Se der para dar espetáculo, com gols, vai ser bom para todos”, disse Thiago Silva.

David Luiz antecipou-se ao chefe, ainda em Teresópolis, para prever mais uma partida duríssima para a seleção. Pode nem ser, mas é pensando dessa forma que entrarão em campo. “É jogo de Copa e não há jogo de Copa fácil. Camarões jogará com o orgulho ferido, querendo fazer uma despedida honrosa. E essa despedida passa necessariamente pelo caminho do Brasil. Eles vão querer ganhar.”

Felipão treinou no Mané Garrincha já com a seleção definida, sem surpresas ou alterações em relação à formação da estreia, com Fred e Paulinho entre os titulares (eles foram os mais contestados após o empate com os mexicanos, em Fortaleza), além da volta de Hulk.

O treinador chegou a fazer charminho no coletivo de sábado. Distribuiu nove coletes, além da confirmação do goleiro Julio Cesar, deixando Hulk por último. Foi um recadinho para o jogador, que se recusou a atuar contra o México por sentir dores na coxa esquerda. Após o exame feito em Fortaleza, que não acusou lesão, Felipão esperava um Hulk mais disposto, o que não ocorreu. Ramires entrou em seu lugar e não convenceu. Hulk está recuperado. Fez os movimentos exigidos nos treinamentos sem sentir mais qualquer incômodo, e ganhou do chefe saudosos elogios. “Ele tem o espírito indomável e dá um ânimo diferente ao time, liberando um ou dois.”

Há a preocupação com os cartões amarelos de Neymar, Luiz Gustavo e Thiago Silva. Se tomarem o segundo, estarão fora das oitavas. 

A seleção terá ainda mais um desafio além da vitória e classificação: desafogar Neymar de pensar e executar o jogo na frente. O craque pede calado por socorro. Marcelo saiu em sua defesa ao comentar que quando o rival se equipara fisicamente com a seleção e monta barricadas no caminho de gol, a única saída é se valer da criatividade. “Neymar não pode ser o único a criar na seleção. Quando tudo está fechado, vai da nossa criatividade para abrir caminho.”

Para que isso ocorra já no jogo contra Camarões e permaneça enraizado no time nas fases agudas da Copa, onde a derrota significa a despedida, o Brasil tem de reagir e melhorar seu rendimento no meio, com Paulinho e Oscar. 

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