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Copa 2014

Brasil reencontra o México em Fortaleza com boas lembranças

Sílvio Barsetti - Enviado especial a Fortaleza - O Estado de S. Paulo

16 Junho 2014 | 22h 20

Foi na cidade que a seleção ouviu o Hino à capela, justamente contra o México, ano passado. Vitória pode garantir vaga nas oitavas

Foi na capital cearense que milhares de vozes cantaram no ano passado o Hino Nacional na íntegra, antes do início do jogo em que o Brasil venceu o México por 2 a 0 pela Copa das Confederações. A partida começou pouco depois do fim de um protesto que reuniu milhares de pessoas e teve cenas de violência a dois quilômetros do Castelão. Nesta terça-feira, as duas seleções voltam a se enfrentar no mesmo local, agora pela Copa do Mundo. Estão previstos protestos em Fortaleza. O Hino à capela vai ser novamente entoado, pois virou costume. E o Brasil pode encaminhar sua passagem às oitavas de final.

O clima deverá ser de festa e não só por obra dos brasileiros. Há mexicanos espalhados por toda Fortaleza. Animados, esperançosos, eufóricos. Talvez a euforia só seja menor do que a da torcida da casa, convicta de que o Brasil vai derrotar de novo o México, diante de mais de 60 mil pessoas, às 16 horas.

Wilton Junior/Estadão
Jogadores pedem para que a torcida cantem o Hino novamente

Se a vitória for obtida, pode antecipar a classificação da equipe para a fase seguinte da Copa do Mundo. Basta que Croácia e Camarões empatem amanhã a outra partida pelo Grupo A.

Há entre os jogadores a crença de que o calor humano da arquibancada pode fazer a diferença. O zagueiro Thiago Silva realçou a empatia entre a seleção e os nordestinos e fez um apelo. “Que (a torcida) cante o hino junto. Todos agarradinhos como nós fazemos.”

Com apenas uma dúvida, se escala Hulk ou Ramires, o técnico Luiz Felipe Scolari nunca escondeu sua preferência por jogos da seleção no Nordeste. Em Fortaleza, há um clima de festa pelas ruas e as bandeiras do Brasil estão nas sacadas de quase todos os prédios e ainda no retrovisor, no capô e janelas de milhares de automóveis.

Hulk foi submetido a um exame de imagem que não apontou lesão em sua coxa esquerda, de acordo com o departamento médico da CBF. Mas é forte a possibilidade de ele não jogar. Sua ausência vai representar mudança tática na seleção.

Sem o atacante, que além de se movimentar bastante para buscar tabelas e tentar as conclusões ajuda bastante no combate e na marcação pelo setor esquerdo defensivo brasileiro, a tendência é que Oscar possa fazer sua função. Com isso, Ramires entraria pelo lado direito – ele tem características mais defensivas do que Hulk e assim a marcação ficaria mais forte. Neymar, nesse caso, atuaria mais centralizado.

Uma das funções de Ramires seria ajudar a fazer a cobertura dos espaços deixados por eventuais avanços de Daniel Alves. Com sua presença em campo, o Brasil também ganhará velocidade ao atacar.

Ramires foi novamente o substituto de Hulk, no treino de reconhecimento do Castelão em que Felipão só permitiu a presença de jornalistas durante 15 minutos – agiu de acordo com o regulamento da Fifa. Na parte "secreta" da atividade, ele aproveitou também para acertar o setor de marcação, principalmente a cobertura aos laterais Daniel Alves e Marcelo.

Felipão também quer a seleção pressionando a saída de bola dos mexicanos, principalmente no início da partida. Isso não foi feito contra a Croácia por circunstâncias do jogo. “É que não deu tempo. Fomos surpreendidos (pelo gol croata). Mas contra o México vamos para cima de novo’’, garantiu o zagueiro Thiago Silva.

O treinador brasileiro disse que, apesar de o México ter trocado de técnico três vezes no último ano, é uma seleção que precisa ser tratada com o máximo cuidado, por ser um time aguerrido e que tem um sistema tático diferente do utilizado no jogo da Copa das Confederações.

O México repetirá o time que bateu Camarões por 1 a 0 na estreia. Ou seja, a estrela da seleção, Chicharito Hernández, ficará no banco. O técnico Miguel Herrera diz que respeita bastante o Brasil e reconhece o favoritismo da equipe anfitriã. Mas avisa: não tem medo.

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