Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Brasileiros buscam pacotes para a Copa: preços começam em R$ 20 mil

País já é um dos que mais procura ingressos para Mundial na Rússia; logística e diferentes modalidades de compra viram desafio

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2017 | 07h00

O caminho para a Copa da Rússia está aberto para os torcedores brasileiros. Muitos deles já estão mobilizados e garantidos para as partidas do próximo Mundial e cientes do investimento a ser feito para realizar esse sonho. Seja qual for a opção escolhida, será necessário desembolsar, no mínimo, cerca de R$ 20 mil para assistir aos jogos em uma das cidades-sede.

O início da primeira fase da venda de ingressos promovida pela Fifa, na semana passada, abriu mais uma rota para se chegar ao Mundial. Entre 14 de setembro e 12 de outubro os interessados se inscrevem no site da Fifa para concorrer a este primeiro sorteio de entradas. Porém, quem prefere ter uma garantia maior de bilhetes já conseguiu confirmar presença desde o primeiro semestre, com a comercialização de pacotes de hospitalidade para o torneio.

Essas duas modalidades oferecem diferentes vantagens. Quem aposta no sorteio, por exemplo, precisa torcer para ser contemplado na escolha aleatória da Fifa para a distribuição das entradas, além de precisar elaborar a própria logística de hospedagem e transporte. Mas pode conseguir montar um roteiro mais em conta. 

Os pacotes de hospitalidade são vendidos no Brasil apenas por cinco agências de turismo autorizadas pela Fifa. De acordo com a categoria escolhida, o consumidor tem a comodidade de unir o ingresso em local nobre nos estádios, em setores com alimentação inclusa, a todo o pacote da viagem, com guia brasileiro, hotel, transporte para os estádios e algumas opções de passeios na cidade.

O valor de pacote mais básico negociado pela Agaxtur, uma das agências autorizadas, é de cerca de R$ 18 mil para sete noites em Moscou, onde haverá 12 jogos. O montante não inclui passagens aéreas e ingressos. Os bilhetes avulsos colocados à venda no site da Fifa variam de cerca de R$ 327 a R$ 3,4 mil, de acordo com o setor dentro da arena e a importância da partida escolhida.

ROTEIROS DIFERENTES

A opção de já sair do Brasil com hotel reservado, ingresso à mão, guia em português e transportes à espera atraiu o empresário Mário Gasparini. Ele já usou o mesmo roteiro em Copas anteriores e garante que o investimento vale a pena. "Quem se arrisca ao tentar comprar no sorteio, pode se dar mal. Acho melhor ir com guia e em grupo pela comodidade. A Rússia é um país com língua estranha, então não adianta dar uma de esperto e tentar ir sozinho", diz o veterano de quatro Copas. "No Mundial da África do Sul, ter viajado com tudo arrumado me salvou de muitos problemas, principalmente em aeroportos", lembra.

O casal Rafael Seizo e Karin Koyama vai encarar a aventura de ir à Copa da Rússia sozinho. Os dois se casam em abril e adiaram a lua de mel para junho, só para eles poderem viajar e ver juntos o Mundial. "Nós sempre fomos apaixonados por futebol. Eu tive a ideia e como minha noiva até joga futebol, ela topou na hora", disse Seizo. 

Os dois recorreram a uma agência apenas para montar o pacote com as passagens e hotéis na Rússia nas cidades de Moscou e São Petersburgo. Agora, torcem para que o sorteio de ingressos os contemple com a presença nos seis jogos pretendidos. "Para nós não importa muito só assistir aos jogos do Brasil. O importante é curtir a Copa do Mundo", disse Karin. Nas contas dela, como vão ficar cerca de 15 dias na Rússia, o gasto será perto de R$ 30 mil.

O editor de vídeo Fábio Fehr tem um projeto totalmente diferente. Ele será integrante de um grupo de dez pessoas que tem como plano alugar hospedagem para ficar na Rússia por mais tempo. Ainda vão escolher a cidade. "Vou ficar 30 dias e aproveitar o intervalo de alguns dos jogos para viajar a países próximos, como Finlândia e Lituânia", diz. O intuito é alugar um apartamento na Rússia, dividir os gastos com o grupo e tentar ver pelo menos quatro partidas. A estimativa é que, com os custos compartilhados, cada um gaste aproximadamente R$ 20 mil durante o período.

DICAS

Fan ID

Mesmo quem tiver ingresso vai precisar fazer um cadastro extra. O processo pode ser adiantado pela internet e terá de ser concluído na Rússia, onde será entregue uma credencial.

Passagens aéreas

Segundo agências, o preço de bilhetes de ida e volta em junho do ano que vem para Moscou e São Petersburgo varia de R$ 4 mil a R$ 5 mil. Não há voo direto.

Hotéis

As hospedagens mais simples e sem café da manhã vão custar a partir de R$ 100. Hotéis oficiais da Fifa cobram cerca de R$ 600.

Moeda

A Rússia utiliza o rublo. R$ 1 equivale a cerca de 18,5 rublos.

Idioma

A língua oficial do país é o russo, que utiliza outro alfabeto, o cirílico. Não é comum habitantes do país dominarem o inglês.

Ingressos

O site para a reserva de entradas é o www.fifa.com/tickets

Agências autorizadas

São cinco empresas no Brasil: Agaxtur, Honour, MMT, Stella Barros e Top Service.

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Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2017 | 07h00

A Rússia oferece ao estrangeiro prazeres e desafios. Posso garantir que é muito emocionante acompanhar uma Copa do Mundo no país-sede. Tudo é novidade para o forasteiro, das cidades-sede (serão 11 em 2018) aos estádios novinhos, cada um com sua arquitetura, da cultura local e sua história aos hábitos alimentares, da hospitalidade à convivência com povos do mundo inteiro num curto período de tempo e, quase sempre, nos mesmos lugares. Durante a Copa, a Rússia não pertencerá aos russos nem à Fifa, que finca sua bandeira no país-sede e toma conta de todas as deliberações sobre o grande evento esportivo. A Rússia pertencerá aos amantes do futebol, eu, você, qualquer um que esteja lá para assistir aos jogos de suas respectivas seleções ou outras. Serão 31 times sem contar o anfitrião. 

Moscou e São Petersburgo estão na mira dos turistas. São, de longe, as cidades mais bonitas e bem preparadas para receber. Verdadeiros cartões-postais do país.

Mas também haverá desafios. O idioma é o maior deles. Se comunicar na Rússia não é fácil. Ler no alfabeto cirílico é duro. Em cidades mais bem estruturadas, é possível encontrar boas almas que falam inglês, arranham ao menos. Nas cidades menores, como Kazan e Sochi, é mais difícil. A Fifa e o Comitê Local Russo tentarão melhorar essa comunicação nas ruas. Criar, ao menos, menus em que o visitante consiga pedir uma refeição sem surpresas. 

Durante uma Copa do Mundo, o país-sede também se torna mais receptivo ao estrangeiro. Na África do Sul, em 2010, sobrou simpatia. Na Alemanha não foi diferente. Na Coreia do Sul e Japão, em 2002, todos, de modo geral, foram bem tratados. O futebol num Mundial tem essa magia. Mais une do que segrega. É pura festa.

É importante também saber que o brasileiro vai conseguir se locomover sem grandes percalços. O metrô de Moscou é gigantesco. Há uma história em cada estação. Em três dias, é possível se virar nesta “cidade subterrânea” sem se perder. Os organizadores também farão revistas nas entradas de todas as estações. O metrô atende toda a cidade, de norte a sul, leste a oeste. A segurança será reforçada.

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Agências apostam em sucesso de vendas de pacotes para a Copa da Rússia

Para empresas, os atrativos do país sede do próximo Mundial atraem o interesse em viagem de público que não é específico do futebol

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2017 | 07h00

As agências oficiais credenciadas pela Fifa para levar os torcedores à Rússia estão otimistas com o volume de clientes que devem viajar para o torneio. Depois de uma Copa do Mundo em casa, no Brasil, as empresas nacionais consideram o próximo Mundial mais promissor em termos de venda de pacotes do que os anteriores realizados em outros países. 

Pelas contas da Agaxtur, um dos agentes oficiais autorizados pela Fifa, a empresa poderá levar no máximo 5 mil pessoas e está confiante em completar essa carga. "É uma Copa do Mundo diferente, porque não será só futebol. É uma mistura de turismo com Copa do Mundo, diferentemente de outras Copas, que só tinha o futebol", disse o presidente da empresa, Aldo Leone Filho.

A realização do Mundial em um país de pouco contato cultural com o Brasil também ajuda a gerar atrativos. Para o empresário, a diversidade cultural e as atrações turísticas da Rússia fazem até mesmo a procura por pacotes abranger um público mais amplo, não apenas o fã de futebol. "Para a Rússia tem um lado de família muito grande, porque é um destino turístico importante. Vejo também que muitos que nos procuram são pais com os filhos, que querem realizar o sonho de ver uma Copa juntos", afirmou.

As agências consultadas pelo Estado consideram que a partir deste mês vão sentir um aumento pela procura por pacotes. O processo acompanha a abertura pela venda de ingressos no site da Fifa, cuja primeira etapa se iniciou na última semana e vai até 12 de outubro. A recomendação dos agentes é não deixar para fechar a viagem de última hora, principalmente pela pouca disponibilidade de vagas nos hotéis russos.

"O fato de a última Copa ter sido no Brasil fez as pessoas perceberem que o torneio vai além do futebol. É uma festa constante das nações dentro e fora dos estádios", afirmou o diretor executivo do Grupo Águia, Paulo Castello Branco. Uma das empresas do grupo, a Stella Barros, pretende levar 4,5 mil turistas brasileiros para acompanhar a Copa da Rússia.

A agência organiza viagens para os Mundiais desde 1966, na Inglaterra, e avalia a Rússia como um destino exótico para os brasileiros. “É um país bastante estranho, a começar pelo uso de outro alfabeto, o cirílico. Já estive cinco vezes na Rússia e poucas pessoas por lá falam inglês. Não recomendo que as pessoas se encaminhem para lá tentando se virar sozinhas”, afirmou Castello Branco.

CONCORRÊNCIA

A Fifa informou que somente no primeiro dia de inscrição para compra de ingressos foram feitas 50 mil solicitações para a final e 40 mil para o jogo de abertura. O Brasil foi o quarto país a mais fazer pedidos de entradas, atrás apenas de Rússia, México e Argentina. A fase atual de vendas termina em 12 de outubro. A segunda etapa se inicia em dezembro e a terceira, em março.

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