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Caixa gordo

Antero Greco

Corinthians e Palmeiras começam a mostrar na tarde deste domingo do que serão capazes em campo. Ambos dão o pontapé na temporada respaldados por títulos nacionais – Brasileiro e Copa do Brasil, respectivamente – e usam o torneio estadual como etapa de aprimoramento para a Taça Libertadores. Se vier o troféu regional, ninguém olhará torto nem fará cara feia. Títulos sempre são aceitos e festejados, desde que não sejam aqueles protestados em cartório.

Nos bastidores, porém, já estrearam com o pé direito. Não exatamente nos elencos – corintianos sofreram um monte de baixas e palestrinos continuaram a contratar com ardor. O gol a favor está na valorização das marcas, ou mais exatamente nos uniformes. O dinheiro que receberão de patrocinadores lhes permitirá respiro e melhor planejamento financeiro.

A tacada palestrina foi magnífica. O estreitamento com a parceria Crefisa e FAM – empresas do mesmo grupo empresarial – mostra a relação de confiança recíproca. Curioso que, em determinado momento de 2015, se falava em desgaste entre as duas partes e se insinuava ruptura. Os R$ 66 milhões previstos para este ano provam o contrário. Além disso, fica mais fácil administrar as contas com número menor de anunciantes. Único senão: camisa e calções continuam poluídos. Duas logomarcas seriam visíveis o suficiente.

O Corinthians não pretende ficar atrás na corrida por arrecadação no fardamento. A turma do marketing alvinegro tem mais de 40 milhões confirmados e supõe ter estratégia para cavar mais 20 milhões. A intenção é não perder o rival de vista – e, de quebra, abrir vantagem sobre São Paulo e Santos em quesito essencial para a saúde do caixa.

Palmeiras e Corinthians são também campeões de audiência, ao menos no que se refere às campanhas de sócio-torcedor. A fidelidade dos fãs contribuiu para que tivessem receitas adicionais no ano passado, fora a certeza de lotação alta ou total nos jogos em casa.

Essas notícias positivas vêm em boa hora e funcionam como sinais significativos. Em primeiro lugar, porque ajudam a libertar os clubes da camisa de força da televisão. Evidente que a verba da venda de direitos de transmissão não tem peso secundário – Corinthians e Flamengo que o digam, pela maneira generosa com que são tratados. Mas é ultrapassado, capenga, amadorismo depender dela para sobreviver, como ocorre ainda com a maioria dos clubes.

Outro aspecto a considerar – óbvio e indesmentível: o futebol é rentável, dá lucro, desde que as agremiações tenham a contrapartida de administrações sérias e competentes. Equipes como Corinthians e Palmeiras talvez fiquem ainda por muito tempo longe dos tubarões europeus; infelizmente, o Brasil também vê com binóculo as grandes potências. Mas, se persistirem na trilha da modernização, encurtarão a distância. Não se trata de ufanismo, mas de realidade. Em português claro e direto: basta não ser leviano, perdulário e, claro, desonesto, que as coisas andam e o mercado se escancara.

Papo de economia à parte, o torcedor esfrega as mãos e quer saber o que esperar de suas equipes. Vamos lá: o Corinthians larga como incógnita. Em princípio, não se passa impunemente por desmanche como este que atingiu o hexacampeão nacional. Chover no molhado prever dificuldades para Tite remontar o esquadrão, após a saída de Gil, Jadson, Renato Augusto, Ralf, Vágner Love e, pelo jeito, também o jovem Malcom.

A reposição pode vir à altura, quem sabe? No entanto, só otimismo exagerado para prever time refeito ainda no primeiro semestre, durante a competição sul-americana. Se isso acontecer, que a Fiel acredite em milagre e erga estátua de ouro para o técnico. O tira-gosto inaugural virá no Itaquerão hoje contra o XV de Piracicaba.

O Palmeiras não só manteve a base como trouxe gente. Detalhes que aumentam a confiança do público e, por tabela, a responsabilidade de Marcelo Oliveira e atletas. A visita ao Botafogo, em Ribeirão Preto, será teste interessante, mas não definitivo.

Palmeiras e Corinthians conseguem receitas generosas com patrocínio do uniforme.

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