Calça vinho. Jogo de Ceni

Números evidenciam a transformação do São Paulo sob o comando de Rogério

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2017 | 03h00

Morumbi, 16 de abril. São Paulo 0 x 2 Corinthians, clássico que praticamente decretou a eliminação tricolor no Campeonato Paulista. O time de Rogério Ceni teve 62% de posse de bola, trocou 500 passes certos contra 318 do adversário, finalizou 13 vezes (quatro certas) e desarmou sem falta em 14 oportunidades. 

Morumbi, 27 de maio. São Paulo 2 x 0 Palmeiras, clássico que poderá ser o divisor de águas na trajetória de Rogério Ceni como técnico do time onde se consagrou. Sua equipe teve 42% de posse de bola, trocou 206 passes certos contra 508 dos palmeirenses, finalizou oito vezes (cinco certas) e somou 18 desarmes corretos.

Os números evidenciam a transformação. A ideia de jogo inicial de Ceni era posse de bola, agressividade, pressão no adversário que eventualmente tenha a pelota aos pés, saída trabalhada do campo de defesa. Proposta arrojada, nobre, calçada em futebol ofensivo e voltada ao gol. Nada de chutões e outros recursos primitivos.

As eliminações em Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Sul-americana parecem ter calejado o ex-goleiro. Não que suas ideias e ideais tenham sido abandonados, nada disso. Mas Rogério parece ter percebido que, na prática, aquilo que pensa e pretende para sua equipe depende de um alicerce, apoiado em doses de pragmatismo.

Não por acaso, o time que tentou apenas 15 lançamentos na derrota para o Corinthians, buscando levar a bola ao ataque de pé em pé, utilizou o recurso da bola longa 36 vezes na vitória sobre o Palmeiras. Sim, o São Paulo de Rogério Ceni mudou, mesmo em casa, contra um velho rival. E deu certo.

Rogério não deve abandonar seus conceitos sobre futebol. Mas aprende, na prática, que o caminho até a implantação de metas comprovadamente mais complexas dependem de qualidade, compreensão e empenho dos atletas, além de muito treinamento bem dado. E tudo isso demanda tempo.

E para ganhar tempo, confiança, segurança, apoio e manter a fé de uma torcida que nele cegamente confia, o novo treinador precisa de resultados. De placares favoráveis, triunfos sobre os maiores rivais do São Paulo. Os 2 a 0 sobre o Palmeiras campeão brasileiro no Morumbi simbolizam isso.

Da mesma forma a famosa calça vinho, exaltada por palmeirenses na volta de Cuca, contumaz usuário da vestimenta, esteve presente na peleja e obviamente em nada influenciou. O trabalho do técnico é o que pode fazer a diferença num Palmeiras em clara reconstrução em plena temporada.

Dos 14 homens que jogaram de verde no Morumbi, oito não foram campeões brasileiros ano passado. Para que, juntos, formem um novo time competitivo, Cuca precisará encontrar o sistema adequado e treinar bem. Sem isso nada adiantará. Nem mesmo se o Palmeiras lançar uma terceira camisa. Cor de vinho.

OUTRO 1 a 0

O Corinthians de sempre

A fragilidade rival não fez o Corinthians mudar de cara em Goiânia. Menor posse de bola e maior contundência ante um Atlético-GO pouco ameaçador. O gol de Rodriguinho, em uma das quatro finalizações certas no primeiro tempo (oito ao final), bastou para o clássico placar do atual time. Foi o 11.º 1 a 0 em 30 partidas. 

DERROTA PARA O CRUZEIRO

A Vila que não é a mesma

Nove jogos na Vila Belmiro, quatro derrotas para São Paulo, Ferroviária, Palmeiras e agora Cruzeiro. É o retrospecto do Santos em seu estádio na temporada. No ano passado, 15 jogos lá disputados na Série A do Campeonato Brasileiro e derrotas para times que seriam rebaixados, Internacional e Figueirense. O “alçapão” santista não é mais o mesmo.

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