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Atacante Calleri tentará quebrar 'maldição argentina' no São Paulo

Desde Poy clube não tem sucesso com jogadores do país vizinho

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Ciro Campos,
O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2016 | 07h00

O São Paulo deve anunciar nesta terça-feira a contratação do atacante Jonathan Calleri e apesar da confiança do técnico Edgardo Bauza no reforço, o clube não tem um histórico de vivenciar sucessos de jogadores argentinos. Mesmo tendo ídolos como José Poy e Antonio Sastre, há quase 60 anos a equipe do Morumbi não tem grandes passagens de atletas vindos do país vizinho.

O retrospecto ruim se contrapõe à ligação forte entre o São Paulo e jogadores uruguaios. O retorno no começo deste ano do zagueiro Diego Lugano, por exemplo, reforçou a dinastia iniciada Pablo Forlán (1970-75) e Pedro Rocha (1970-77), que teve sequência com Dario Pereyra (1977-1988). Anos atrás o clube chegou a lançar até mesmo uma camisa na cor azul celeste para comemorar essa relação.

Já com os argentinos em campo, não há tantas historias gloriosas. O último atleta do país vizinho a ter passagem marcante foi o goleiro José Poy. Em 515 partidas entre 1949 e 1962, ganhou o Campeonato Paulista quatro vezes: 1948, 1949, 1953 e 1957. Depois ele seria técnico da equipe também. Antes dele, o atacante Sastre fez sucesso no clube ao ser campeão estadual em 1943, 1945 e 1946, com 58 gols em 129 partidas pelo clube.

Nos últimos anos a diretoria apostou em argentinos que fracassaram. Após um longo período sem apostar em jogadores nascidos no país, em 2002 o São Paulo contratou o zagueiro Ameli, ex-River Plate. Foram 15 jogos, muitas expulsões e somente um gol marcado. Já em 2009 a opção foi pelo lateral-direito Adrián González, aposta para resolver o problema na posição, mas fez somente nove jogos entre 2009 e 2010, quando foi dispensado.

As duas próximas contratações argentinas também foram fracassadas. Revelado no Boca Juniors, o meia Marcelo Cañete chegou em 2011 e sofreu com lesões. Foi emprestado por diversos clubes, fez apenas 23 jogos no São Paulo e rescindiu contrato em 2015. Em 2013, a aposta no lateral Clemente Rodríguez se revelou um fracasso. O veterano ex-Boca foi expulso logo na estreia, jogou só três vezes e até sair, em 2015, passou maior parte do tempo treinando separado.

Na última temporada o clube contratou por R$ 14 milhões o atacante Centurión, que veio do Racing. O jogador sofreu com problemas pessoais e adaptação, mas disse na última semana se sentir preparado para ter uma temporada melhor no clube. O técnico Edgardo Bauza aposta nele e confiou ao atleta o papel de titular na equipe, embora o próprio atleta reconheça que precise evoluir.

Já Calleri terá pouco tempo para mostrar futebol. O contrato de empréstimo do atacante ex-Boca Juniors vai apenas até o meio do ano, quando ele deverá cumprir o acordo definido pelos seus empresários e se transferir ao futebol italiano.

As dez últimas passagens de argentinos:

Negri (atacante, 1953 a 1955) - 68 jogos, 17 gols

Bonelli (goleiro, 1956 a 1957) - 51 jogos

Berazza (atacante, 1956 a 1957) - 11 jogos, dez gols

José Poy (goleiro, 1949 a 1962) - 515 jogos

Prospiti (atacante, 1966 a 1967) - quatro jogos, nenhum gol

Ameli (zagueiro, 2002) - 15 jogos, um gol

Adrián González (lateral, 2009 a 2010) - nove jogos, um gol

Cañete (meia, 2011 a 2015) - 23 jogos, um gol

Clemente Rodríguez (lateral, 2013 a 2015) - três jogos - nenhum gol

Centurión (atacante, desde 2015) - 46 jogos - seis gols

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