Campeão improvável

O árbitro precisa apitar sem qualquer interferência. Precisa ter mais convicção

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 04h00

O Corinthians mereceu a conquista. O Palmeiras mereceu a derrota. Não é de hoje que os jogadores do Palmeiras fracassam em partidas importantes, quando eles precisam erguer taça ou se classificar para seguir adiante em competições importantes. A temporada passada foi assim. O torcedor, de modo geral, sempre desdenhou o Paulista em comparação às grandes conquistas, como Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores.

Mas não é esse o sentimento que se tem após a derrota do Palmeiras nesta decisão de 2018. O fato de ela ter sido disputada entre os dois maiores rivais do futebol estadual mudou a importância da final no Allianz Parque, com torcida só do Palmeiras. Não há dúvidas disso. O dérbi transformou o torneio, arrastado em alguns momentos, com partidas enfadonhas, em jogo de vida ou morte, talvez uma das mais destacadas conquistas da temporada.

Os corintianos foram frios durante os 90 minutos, após o gol que tirava a vantagem de empate dos donos da casa. Foram gelados nas cobranças de pênaltis. E contaram com o grandalhão Cássio para fazer a diferença. Dudu e Lucas Lima, os dois craques do Palmeiras, desperdiçaram as suas cobranças.

O jogo poderia ser resumido da seguinte maneira: o Corinthians fez o seu gol e segurou o Palmeiras, que martelou, mas não conseguiu nada.

Não sou de perder linhas e tempo com a arbitragem por um simples motivo: são todos fracos e sem personalidade, despreparados e sem competência. Mas hoje quebro essa regra, minha mesmo, para avaliar a atuação do árbitro Marcelo Aparecido de Souza, que mudou o destino da taça ao voltar atrás, sem convicção, de um pênalti então marcado contra o Corinthians.

Errar ou acertar é do jogo, de qualquer jogo. Mudar de posição sem a mínima certeza, não. Deu para ver na fisionomia do juiz que ele não sabia o que estava acontecendo, que não sabia o que estava fazendo. Pegou a bola, espanou os jogadores dos dois lados, correu, voltou, tomaram a bola dele, ele a pegou de volta, não tinha posicionamento, olhava para o nada. Imagino que gostaria de estar na sala de sua casa, longe de campo e de sua atuação. Não tenho dúvidas disso. Emocionalmente, ele não foi bem. Apitar jogos menores é uma coisa, apitar jogos importantes é outra bem diferente. A arbitragem precisa entender isso de uma vez, acabar com os sorteios e formar bons árbitros e os mandarem aos principais duelos, sem medo de errar.

Não discuto o pênalti em Dudu. Primeiramente achei que foi. Depois, fiquei na dúvida. Depois achei que não foi. Poderia ter marcado, como poderia não ter marcado. Ele fez as duas coisas. Por quê? Porque a Federação Paulista de Futebol, ou a organização da arbitragem, que pertence à FPF, se vale de informações externas para tomar decisões. Parece claro. Quando seria mais justo e honesto errar em campo, sozinho, porque se valer de interferência externa não pode no futebol. Já passou da desconfiança. Tirem a comunicação dos árbitros. Isso explica a revolta dos palmeirenses, dos jogadores do Palmeiras, da comissão técnica e da presidência do clube. E não há nada o que fazer.

O mérito do Corinthians existe. O time campeão, bicampeão, não deve ser envolvido nisso, não pode deixar de festejar, como não deixou. O Corinthians sabe decidir, não deu pontapé, mostrou o emocional fortalecido. Entrou em campo como falso franco-atirador na casa do rival, com recorde de público, e não se fez menor, em nenhum momento.

Não é uma conquista manchada, não é uma conquista sem merecimento, não é uma conquista sem valor. É uma conquista do time mais concentrado e organizado, de um treinador, Carille, que sabe o que faz. Ocorre que o Palmeiras sempre foi um campeão improvável.

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