Ide Gomes/Frame
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Campeonato Carioca é um fracasso de renda

Clubes grandes têm prejuízo em quase todos os jogos do campeonato

Sílvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

08 Março 2015 | 07h00

A Federação de Futebol do Rio (Ferj) tem destacado em publicações no seu site oficial o aumento de público no Carioca de 2015. A cada rodada, a comparação com os números da edição anterior leva seus dirigentes a exaltar a competição. Insistem em dizer que o modelo atual, com 16 clubes, é viável. Não atentam, porém, para o ponto que mais desperta o interesse dos grandes clubes – o prejuízo com as bilheterias.

O Vasco, por exemplo, sofreu com números negativos em seus cinco jogos iniciais do campeonato – com Cabofriense, Madureira, Tigres, Macaé e Barra Mansa. O prejuízo nessas partidas chegou a R$ 127 mil. Quando veio o clássico na sexta rodada com o Fluminense, no Engenhão, a receita do clube de São Januário foi de apenas R$ 16 mil.

A situação do Fluminense é muito parecida. Logo em sua estreia no Carioca o clube das Laranjeiras deixou a cidade de Volta Redonda, onde jogou com o Friburguense, com déficit de R$ 47 mil. E na partida contra o Vasco, recebeu apenas R$ 5,5 mil. O cenário no Botafogo não é muito diferente. Somente os jogos do Flamengo, com mais público, deixam algum dinheiro em caixa. Mas os valores são inexpressivos para o custo do futebol rubro-negro.

Na partida contra a Cabofriense, na terceira rodada, no Maracanã, o Flamengo ficou com R$ 10.495,98.

Embora razoável, a média de público de 2015 não ganhou impulso significativo com a categoria de sócio-torcedor de Fla, Flu, Vasco e Botafogo. Os quatro juntos têm praticamente o mesmo número de adesões que o Palmeiras – em torno de 100 mil.

Não fossem as cotas de TV e os clubes não teriam como disputar o Carioca. Cada um dos quatro grandes recebe por jogo R$ 311 mil da detentora dos direitos de transmissão.

"O Flamengo não pode ficar à mercê do excesso de taxas cobradas por jogo. Isso é totalmente desproposital", disse o presidente Eduardo Bandeira de Mello.

O borderô dos jogos não deixa dúvidas de que o campeonato não é rentável. São realmente muitas taxas e encargos. Um deles salta aos olhos: a Ferj recolhe cerca de 10% de toda renda bruta. No jogo de maior público do Carioca – Botafogo x Fla, com 44 mil pagantes –, federação e os dois clubes praticamente ficaram com a mesma cota – R$ 259 mil para o Alvinegro, R$ 246 mil para o Fla e R$ 209 mil para a entidade.

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