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Cañete só deve voltar a jogar no São Paulo em 2013

Fernando Faro - O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2012 | 09h 24

Com uma lesão rara no joelho, argentino permanece do departamento médico do clube desde outubro de 2011

SÃO PAULO - Ele praticamente não entrou em campo e ainda é quase um desconhecido. Marcelo Cañete é um jogador que desperta enorme curiosidade dos torcedores. Contratado em julho de 2011 como solução para o meio de campo do São Paulo, o argentino sofreu uma gravíssima lesão no joelho direito e hoje, quase um ano depois (machucou-se em 31 de outubro), ainda não tem perspectiva exata de retorno.

O problema é que a contusão de Cañete foi no ligamento posterior, bem mais rara no esporte, de difícil acesso por meio de cirurgia e com prazo de recuperação muito maior do que as lesões de ligamento anterior.

"Há alguns anos essa lesão era motivo de atletas encerrarem a carreira. Essa via posterior precisa passar por artéria, nervos e requer muito mais tempo de reabilitação. O início das atividades é retardado porque os cuidados são muito maiores. Se uma cirurgia de (ligamento) anterior demora de seis a sete meses para recuperar, esse prazo aumenta para algo em torno de 11 meses no posterior", explicou ao JT o médico do clube, José Sanchez.

Embora, de acordo com o médico, o cronograma esteja de acordo com o planejado, a pressão acontece pela expectativa criada sobre o meia. Cañete chegou referendado por uma série de boas atuações na Universidad Católica e apontado como o sucessor de Riquelme no Boca Juniors, seu clube de origem.

Na época, o Tricolor não tinha nenhum meia de ofício no plantel e apostava em Cañete para ser o cérebro da equipe. As frequentes perguntas sobre o estado do atleta ainda causam desconforto na comissão técnica e todos no clube tomam cuidado para que as declarações não soem como transferência de responsabilidade.

Recuperado clinicamente, o maior desafio agora é fazê-lo retomar ritmo de jogo e fortalecer a musculatura para equipará-lo aos demais. Seu desempenho físico e técnico é acompanhado por todos e Ney Franco tem feito uma série de jogos-treino para ambientá-lo mais rapidamente à dinâmica de uma partida. O treinador, porém, não conta com o jogador no curto prazo pelo fato do longo tempo fora dos gramados ter tirado sua confiança de realizar movimentos bruscos.

O desnível físico ainda é tão grande que, mesmo sem dor, o argentino muitas vezes manca involuntariamente quando anda e não percebe isso. "Ele precisa do que chamamos de treino do gesto esportivo. Ele mesmo sente falta desse ritmo e pediu um prazo maior de treino com bola para voltar a ter mais confiança", completou Sanchez.

Por todos esses fatores, a tendência é que ele só volte a jogar no ano que vem pelo fato de o Tricolor estar na briga pelo G-4 do Brasileirão e com uma série de partidas decisivas pela frente.

A partir de janeiro, será possível saber se Cañete conseguirá repetir o futebol que fez a diretoria investir US$ 3 milhões para contratá-lo ou entrará para a lista de fiascos que chegaram com estardalhaço e acabaram não rendendo o esperado. Talento ele já provou ter. Resta conseguir uma chance de mostrá-lo.