1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Copa 2014

Captação de R$ 25 milhões para obras de entornos do Beira-Rio ainda é impasse

Ricardo Galhardo, enviado especial - O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2014 | 13h 54

Diretoria do Inter passa a bola para os governos municipal e estadual. A Fifa se antecipa e diz que tudo está resolvido

PORTO ALEGRE - Inaugurada nesta quinta-feira com direito à presença da presidente Dilma Rousseff, do governador Tarso Genro, ministros, jogadores do Inter e outras autoridades, a Arena Beira-Rio, palco dos jogos da Copa do Mundo em Porto Alegre, continua no centro de um impasse que envolve Internacional, Fifa, Comitê Organizador (COL), prefeitura, governo do Estado e o pagamento de R$ 25 milhões relativos às estruturas temporárias em torno do estádio.

O clima de festa da inauguração não condiz com o problema que as partes terá de resolver ainda. A Fifa se antecipou nesta manhã para divulgar que tudo estava resolvido. Não é bem assim.

No início da semana, às vésperas da visita de Dilma, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, deu um ultimato aos gaúchos ao alegar que, de acordo com os contratos assinados com a cidade-sede, o Inter é o responsável por arcar com os custos das estruturas temporárias (tendas climatizadas, linhas de transmissão, monitores de TV, centros de imprensa, grades de proteção etc.) para a Copa. A diretoria do clube gaúcho informou, no entanto, que não tem dinheiro necessário e passou a bola para os governos estadual e municipal.

No início da noite de quarta-feira, depois de intensas negociações que envolveram também o governo federal, Tarso Genro enviou um projeto de lei em caráter de urgência à Assembleia Legislativa autorizando o Inter a captar os R$ 25 milhões junto à iniciativa privada. As empresas que colaborarem poderão abater 100% do valor no ICMS devido ao Estado.

O INTER LAVA AS MÃOS

O projeto de lei foi apresentado à Dilma como solução, mas o impasse está longe de terminar. Na manhã desta quinta-feira, minutos depois de a presidente deixar o Beira-Rio, o presidente do Inter, Giovanni Luigi, afirmou que o clube não vai correr atrás dos recursos e que a tarefa cabe aos governos estadual e municipal.

"Isso é com o governo. O Inter não entende dessas coisas", disse Luigi, visivelmente irritado com os questionamentos.

Segundo ele, as únicas contribuições do clube para as estruturas temporárias serão a cessão do ginásio Gigantinho, edifício garagem, centro de eventos e os espaços destinados a lojas.

A postura inflexível do presidente do Inter tem irritado as autoridades gaúchas. Segundo uma fonte do governo, Tarso Genro chegou a oferecer uma linha de crédito de R$ 15 milhões com juros abaixo do mercado, mas o Inter recusou. O clube foi procurado, mas também não confirmou a informação.

O secretário municipal de Esportes de Porto Alegre, João Bosco Vaz, descartou a possibilidade de o prefeito José Fortunati (PDT) e o governador saírem em busca de dinheiro. "Onde já se viu o prefeito e o governador saírem atrás de patrocínio?", indignou-se.

BENEFÍCIOS

De acordo com Bosco, as autoridades fizeram sua parte. Além da renúncia de R$ 25 milhões de ICMS por parte do Estado, a prefeitura vai oferecer áreas da cidade gratuitamente para que os possíveis patrocinadores possam fazer propaganda. Segundo o secretário, a situação já deveria estar resolvida. Não está. "Plano B? Este já é o plano B. Essa história deveria ter acabado há muito tempo", disse.

DILMA

O nervosismo em relação ao impasse contrastou com o clima de festa dentro do estádio. Acompanhada do governador, prefeito, ministros, parlamentares aliados e da filha, Paula, a presidente foi bastante aplaudida, tirou dezenas de fotos com operários que trabalharam na obra e elogiou o estádio. "Isso está lindo! Parabéns aos operários", disse Dilma ao entrar no Beira-Rio, segundo relatos.

A imprensa foi mantida à distância durante a visita que se restringiu ao interior da arena. A presidente só viu de dentro do carro os canteiros de obras no entorno do estádio onde se acumulam entulho e materiais de construção. Nas rápidas conversas – entre ela com o ex-jogador Ronaldo Fenômeno -, Dilma teria destacado estudo da Fundação de Economia e Estatística (FEE) segundo a qual a Copa deve injetar R$ 503 milhões na economia do Rio Grande do Sul.

TABELINHA COM ARGENTINO

A inauguração simbólica foi marcada por uma tabelinha da presidente com o meio-campista argentino D'Alessandro, do Inter, e uma placa comemorativa. Antes de deixar o estádio, a presidente recebeu uma camisa amarela do clube gaúcho com seu nome e o número 10 nas costas.

Copa 2014