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Copa 2014

Celular da Fifa recebeu 900 ligações de líder de quadrilha de cambistas

O Estado de S. Paulo

06 Julho 2014 | 21h 37

Franco-argelino Lamine Fofana, que está preso, diz em uma ligação que consegue quantidade elevada de ingressos para a final, no Rio

O franco-argelino Lamine Fofana, de 57 anos, preso na operação que desarticulou o milionário esquema de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo, fez pelo menos 900 ligações nos últimos dois meses para um celular oficial da Fifa, segundo reportagem do Fantástico, da TV Globo. Polícia e Ministério Público afirmam estar próximos de prender o integrante da entidade que seria o líder da quadrilha e, conforme informou o Estado, a operação deve acontecer a qualquer momento.

A reportagem mostrou trechos de gravações das ligações de Fofana interceptadas na operação Jules Rimet, com autorização da Justiça. Numa delas, o franco-argelino se gaba de poder conseguir uma quantidade elevada de ingressos para a final do Mundial, no Maracanã. "Quem tem 50 ingressos para a final na mão? Eu 'tem', eu 'tem'", diz, no português carregado de sotaque. A reportagem também exibiu imagens da prisão de Fofana, na manhã de terça-feira, no apartamento que havia alugado por um mês na Barra da Tijuca, de propriedade do ex-jogador Júnior Baiano.

Severino Silva/Agência O Dia
A Match também está sendo investigada após averiguação de venda ilegal de ingressos

Os policiais também disponibilizaram ao Fantástico imagens da tentativa de suborno de um dos presos na operação, Sérgio Antônio de Lima, aos inspetores que conduziam a investigação. Segundo o chefe do inquérito, delegado Fábio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), os agentes fingiram o suborno para seguir com a investigação e assim chegar outros integrantes da organização criminosa. 

Numa das gravações, logo antes de ser preso e ao ser indagado pelos policiais, Fofana afirma que está no Brasil para "trabalhar num evento com a seleção brasileira". No caderno de contabilidade do franco-argelino, anotações a mão mostram que, só para a final no Maracanã, ele previa ganhar R$ 51 mil com a venda de cada um dos 25 ingressos VIP dos quais dispunha. 

Em uma troca de mensagens obtida pela polícia, ao ser indagado se estava "tudo certo" com os ingressos, Fofana responde que sim, que estava no Copabacana Palace, onde está reunida toda cúpula da Fifa durante o Mundial e, segundo a polícia, está também o líder ou líderes da quadrilha, ligados à Federação e à Match, única empresa autorizada para venda de pacotes de ingressos e camarotes.

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