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Chama a benzedeira

- Atualizado: 16 Março 2016 | 03h 00

O São Paulo não sossega. Está mais agitado do que estação do metrô na Sé no horário de pico, mais inquieto do que político em Brasília. Não passa uma semana sem agito. Tem mais fofoca no Morumbi do que nas conversas de fim de tarde das comadres do Bom Retiro de antigamente. Lá até presidente caiu por fogo amigo. (Lembram da saída do Carlos Aidar?)

Pois bem, o time de Edgardo Bauza deu meia volta na América, antes de entrar em campo no início desta noite, na Venezuela, para enfrentar o Trujillanos. E pensa que encara sossegado o desafio decisivo na Copa Libertadores? Não. No meio da viagem, surgiram novos indícios de desgaste de boleiros do elenco.

Primeiro foi Michel Bastos, aborrecido com críticas da torcida, que o pegou pra Cristo e como símbolo da fase irregular da equipe. Nem embarcou para a Venezuela e se fala do interesse do Inter de Porto Alegre. Em seguida, foi Kieza, que mal chegou e quer ir embora. Veio para ser o substituto de Luís Fabiano e, com dois meses de casa, se cansou. Sairá sem deixar saudade.

Agora, é Centurion que se lamenta da sorte. O atacante argentino foi às redes sociais para pedir respeito e privacidade. Ele não tem gostado que liguem o fraco desempenho a problemas particulares. Alega que uma coisa não tem a ver com a outra. Não ficou muito clara a intenção do desabafo, o que permite algumas interpretações.

Uma delas é a de que se trata de autocrítica. Se for, está certo, porque oportunidades tem recebido de Bauza, ao contrário do que ocorreu com técnicos anteriores. Não as tem aproveitado; de onde, então, as lamúrias? É o caso de dizer que, se Centurion pede respeito, o torcedor quer produção. Mais bola e menos não me toques.

Com o vendaval de impaciências, a cartolagem diz que as portas estão abertas para quem quer sair. Ok, melhor isso do que ficar com gente com bico deste tamanho. Mas não se cobra de quem indicou ou contratou os moços? Por exemplo, quem inventou Centurion, que não se firmou nem no Genoa, hoje clube de segunda linha na Itália? Como chegou com status de craque? E quem achou que Kieza seria a solução para o comando do ataque?

Nesse meio-tempo, Bauza e os desbravadores da América têm a missão de atropelar o Trujillanos, rival mais frágil do grupo. Se o São Paulo ganhar hoje e no confronto de volta, ficará em condições de definir vaga em disputa direta com o River Plate - e em casa.

Tropeço diante dos venezuelanos – até empate – pode complicar de vez o sonho de reação. A opção nesta quarta-feira tem de resumir-se a pressionar, sufocar e atacar. Por via das dúvidas, não custaria nada chamar uma benzedeira, fazer uma reza, distribuir uns raminhos de arruda. Não faz parte da tática, porém pode acalmar o espírito.

Para deslanchar. O Corinthians será colocado à prova de novo, ao receber a visita do Cerro Porteño em Itaquera. A tarefa do campeão brasileiro é óbvia e única: devolver aos paraguaios a derrapada da semana passada. Os corintianos perderam em Assunção (3 a 2) e têm obrigação de ganhar, para respirarem aliviados no grupo. A vitória os leva a 9 pontos e a um passo da classificação.

Tite escolheu Maycon e Luciano como substitutos de Rodriguinho e André, suspensos, e aposta em velocidade. O Corinthians é favorito e tem de cuidar-se. Empate não seria desastroso, mas constrangedor.

Como assim? Alexandre Mattos, o gestor do futebol do Palmeiras, afirmou ao SporTV que a saída de Marcelo Oliveira era cogitada desde o final do ano, ainda no embalo da conquista da Copa do Brasil. A direção do clube resolveu esperar a chegada de contratações e a pré-temporada para ver no que daria. Deu na dispensa de Marcelo e na chegada de Cuca.

Mattos garante que tudo foi feito com planejamento. Calma lá: se havia intenção de trocar o comando, por que esperar até março? Por que desperdiçar 3 meses? Essa não.

É um tal de jogador do São Paulo mostrar-se aborrecido. E a temporada está no início...

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