Chapecoense reencontra Atlético Nacional e pode ser campeã no palco de tragédia

Elenco da equipe brasileira foi recebido com muita festa na Colômbia

Gabriel Melloni, Estadão Conteúdo

10 Maio 2017 | 06h46

Pouco mais de cinco meses depois, a Chapecoense reencontra o cenário da maior tragédia da história do futebol. O palco é novamente Medellín; a ocasião é a decisão de um título continental; e o adversário, o Atlético Nacional. As lembranças dos 71 mortos no acidente aéreo de 29 de novembro são inevitáveis, mas os jogadores e o técnico Vagner Mancini pregaram que a partir das 21h45 (de Brasília) desta quarta-feira, o foco estará todo no gramado do Estádio Atanásio Girardot e na disputa da segunda partida da decisão da Recopa Sul-Americana.

Depois de receber o adversário - que se transformou em irmão diante das trágicas circunstâncias no fim do ano passado - com justas homenagens para a partida de ida, a Chapecoense chegou a Medellín com as mesmas honrarias e reencontrando o carinho do povo colombiano.

O elenco todo foi recebido com muita festa, mas as homenagens ganharam tons especiais para os quatro brasileiros sobreviventes. Jackson Follmann, Neto, Alan Ruschel e o jornalista Rafael Henzel viajaram com a delegação, reencontraram o palco do acidente que lhes tirou tantos colegas e se emocionaram com a recepção.

Se fora de campo as feridas pelo ocorrido ainda estão abertas e dificilmente serão apagadas, dentro dele, a Chapecoense tenta se reerguer. E o reinício do clube não poderia ser mais promissor, já que no último domingo a equipe conquistou o título do Campeonato Catarinense.

Por isso, a partida desta quarta representa a chance de a Chapecoense viver uma semana histórica, com dois títulos conquistados em quatro dias, mas também de honrar o caminho que começou a ser construído pelas vítimas do acidente. Afinal, o time catarinense está na disputa da Recopa por ter sido declarado campeão da Copa Sul-Americana do ano passado, torneio que nunca teve sua decisão disputada, justamente por causa da tragédia.

Na partida de ida, em Chapecó, os donos da casa levaram a melhor e venceram por 2 a 1. Por isso, a Chapecoense depende apenas de um empate nesta quarta-feira para comemorar o título. Ao Atlético Nacional, resta vencer por dois gols de diferença para levar o troféu no tempo normal.

Além dos caminhos que se cruzaram desde o ano passado, Atlético Nacional e Chapecoense têm em comum as campanhas ruins na Libertadores deste ano. Atual campeão, o time colombiano venceu pela primeira vez somente na última rodada e não depende apenas de si para se classificar às oitavas de final, situação semelhante à dos brasileiros, que também têm apenas um triunfo no torneio.

Para ser campeã novamente, a Chapecoense deve manter a base do time que conquistou o título catarinense no domingo. Já o Atlético Nacional chega para a decisão com um importante desfalque: o meio-campista Matheus Uribe, que sofreu uma lesão muscular e foi vetado pelo departamento médico.

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