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Copa 2014

Chile manterá estilo contra o Brasil

Vítor Marques - Enviado especial a Belo Horizonte - O Estado de S. Paulo

25 Junho 2014 | 05h 00

Técnico Jorge Sampaoli quer que seus atletas esqueçam o passado de fracassos; dúvida é se Valdivia iniciará jogando

O Chile, que sonha surpreender o Brasil, adotou sua primeira estratégia. E ela vai além da presença do volante Arturo Vidal. A principal mudança é a postura dos jogadores. Todos, sem exceção, pregam que o passado seja esquecido e que os insucessos em Copas já disputadas não vão interferir no jogo de sábado.

O discurso entre os atletas, de que essa é uma geração vencedora, vem desde o início do Mundial, aumentou após a vitória contra a Espanha e se mantém intacto apesar de derrota para a Holanda – não à toa considerada injusta pelo técnico Jorge Sampaoli.

"O Brasil sempre foi um pesadelo para o Chile, mas o futebol muda. Vieram uma nova geração e novos jogadores", afirmou Vidal. "Podemos surpreender. Vencemos o campeão do mundo, então, podemos vencer também a seleção brasileira." Valdivia, que pode jogar no sábado, adota postura idêntica à de Vidal. "História está nos museus e podemos mudar esse retrospecto negativo que temos diante do Brasil", afirmou.

JF Diório/Estadão
Invasão de chilenos no jogo contra a Espanha preocupam autoridades

Nas entrevistas coletivas na Toca da Raposa II, local escolhido como 'casa' pela seleção chilena durante a Copa, os jogadores batem na tecla de que não veem mais o Chile como um rival fácil a ser batido. O presidente da federação chilena, Sergio Jadue, fala em "mudança de chip", de uma nova mentalidade na seleção. "Sampaoli é um dos protagonistas desta seleção, mas os jogadores também. É um trabalho que vem dando certo desde as Eliminatórias", disse o cartola depois da histórica vitória sobre a Espanha. Essa partida foi tratada como um 'antes e depois' na história da seleção chilena. E foi ali que Sampaoli começou a pensar sua estratégia para as oitavas de final contra o Brasil.

O Chile deixou o Maracanã classificado. A dúvida era se terminaria em primeiro ou segundo. Para isso, teria de vencer a Holanda. E, mesmo assim, Sampaoli abriu mão de escalar seu principal jogador. Arturo Vidal ficou de fora do jogo por dois motivos. O primeiro: ele estava pendurado e poderia levar um cartão que o tiraria das oitavas de final. Em segundo lugar, Vidal jogou contra Austrália e Espanha no sacrifício, porque se recuperava de uma contusão no joelho direito.

Para chegar 100% às oitavas, ele precisava de um tempo. "Os primeiros dois jogos foram muito difíceis, sentia um pouco o joelho. Como o técnico disse, foi melhor descansar. Vou jogar as oitavas, não perderia esse jogo por nada."

Com Vidal em campo em plena condição física, como prevê Sampaoli, o Chile pode fazer um grande jogo e eliminar o Brasil do Mundial. Ele não vai modificar a estrutura da equipe, nem a maneira de jogar. Há uma dúvida na escalação: Valdivia começa como titular ou continua no banco, dando lugar ao defensor Francisco Silva? Contra a Espanha, a tática deu certo. Diante da Holanda, não. O que Sampaoli precisa resolver é como sua defesa vai ganhar no jogo aéreo.

SEGURANÇA

Alarmada com os repetidos incidentes de violência em diversos jogos da Copa do Mundo, a Fifa admite que está preocupada com a partida Brasil x Chile, em Belo Horizonte no sábado. O jogo está sendo considerada como de "alto risco" e não se descarta mais uma vez o uso de policiais militares dentro do estádio. 

Hoje, uma reunião em Belo Horizonte definirá o plano de segurança para a partida. Mas a tendência é de que se repita os mesmos procedimentos adotados no Maracanã depois da invasão: um aumento dos vigias particulares contratados pela Fifa e um importante reforço da polícia militar.

* Colaborou Jamil Chade

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