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Antero Greco

Chocolate meio amargo

A seleção ensaiou Páscoa farta, doce e generosa, por aquilo que fez no início do clássico com o Uruguai, na sexta-feira, no Recife. Abriu a vantagem de dois gols, rodou bem do meio para a frente e ensaiou oferecer um chocolate daqueles para os vizinhos. Em seguida, relaxou, cedeu espaço, permitiu o empate e terminou o jogo a segurar no sufoco o pontinho em casa.

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Antero Greco

27 Março 2016 | 03h00

Taí aspecto frágil da equipe de Dunga, detectado em outras oportunidades. Larga bem, com velocidade e atrevimento. Envolve, cria e eventualmente aproveita as chances. Quando parece ter a situação sob controle, perde fôlego, expõe brechas e se complica, independentemente da qualidade do adversário.

A oscilação ajuda a compreender por que o Brasil não deslancha na tabela das Eliminatórias, após cinco rodadas. As duas vitórias, os dois empates e a derrota – na estreia, para o Chile, em Santiago – lhe dão 8 pontos e a terceira colocação. Em termos de classificação para o Mundial de 2018, as perspectivas continuam favoráveis. Não é esse o temor, já que a América do Sul possui quatro vagas diretas e uma que será alcançada por meio da repescagem.

O receio de fracasso surge pela inconstância. Ou seja, Dunga e rapazes não encontraram o ponto de equilíbrio. Na Arena Pernambuco, o quarteto formado por William, Renato Augusto, Douglas Costa e Neymar partiu a 100 por hora, deu esperança de espetáculo, estonteou a marcação uruguaia. Cumpriu o papel que lhe foi conferido.

Mas insuficiente. O bloco criativo cansou, sumiu no segundo tempo, virou fumaça. Fernandinho e Luiz Gustavo ficaram sobrecarregados e a defesa escancarou limitações sobretudo no lado Luízes, David e Filipe. Os gols uruguaios transtornaram o Brasil, que por um fio não levou a virada. Eis o mal: a seleção desmorona diante da adversidade. Falta-lhe um líder, alguém que imponha respeito e acalme os colegas.

Não há tal jogador, não é Neymar – talentoso e inconstante, temperamental e volúvel, e fora do duelo complicado de terça-feira com o Paraguai. Dunga continua em busca do Brasil ideal e, assim como a equipe, sai do prumo diante dos tropeços. Enquanto isso, ele e trupe ficam com o chocolate meio amargo, presente uruguaio. 

Sem coelho. Veja a situação enjoada do Palmeiras. Semana sim, semana não, faz uma contratação. É tanto atleta que vários nem esquentam banco e se mandam. Pois bem. O técnico Cuca não completou 15 dias de casa, tem três derrotas seguidas, sentiu como pesa a camisa verde e chegou à veloz conclusão de que talvez necessite de “reforços”. Embora não tenha sido taxativo, admitiu a possibilidade de passar para a direção alguns nomes para contato e, quem sabe, futura contratação.

Constatação perturbadora em elenco que conta, por baixo, com 36 jogadores. A ideia vendida para o consumo externo é a de variedade, quantidade e qualidade. Na prática, a tropa resulta em equipe com altos e baixos de causar calafrios, desconfiança e raiva. Tanto que parte dos fãs sacou a corneta do bolso e a assoprou com gosto, na derrota para o Red Bull.

Um Palmeiras pressionado e tenso é o que enfrenta o Água Santa, em Presidente Prudente, na tarde de hoje. Cuca acena com mais alterações, na via-crúcis de testar o batalhão que tem à disposição e encontrar time equilibrado e firme. E ele nem tem coelho pra tirar da cartola.

Duelo esvaziado. O San-São é dos clássicos mais populares do futebol brasileiro. Merece sempre o melhor de cada lado. O que a princípio não deve acontecer, no início da noite de hoje. Ambos pisarão na Vila Belmiro com uma coleção de desfalques. Os santistas têm baixas motivadas por seleções – principal e olímpica. Os tricolores por seleção, gente machucada e pela suspensão de Ganso, ultimamente o astro isolado da companhia de Edgardo Bauza. Pena, sem trocadilho, sobretudo para o São Paulo, que zanza em busca de afirmação e de regularidade. 

 

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