Clássico revive clima do passado

Fazia tempo que são-paulinos e palmeirenses não viviam tamanha expectativa pela realização de um ?Choque-Rei?. As peculiaridades do clássico desta quarta-feira, às 21 horas, no Morumbi, pela 11ª rodada do Torneio Rio-São Paulo, o tornaram mais importante do que uma simples partida da fase de classificação. Quem vencer vai assumir a liderança isolada da competição. Atualmente, as duas equipes dividem a primeira posição com 23 pontos. A vantagem do São Paulo está no saldo de gols: 20 contra 9. No São Paulo a fase é tão boa que é proibido inventar. O técnico Nelsinho Baptista não admite que sua equipe mude o estilo de jogo que lhe valeu o título de sensação da competição e uma seqüência de seis goleadas. A única diferença na preparação foi o insistente ensaio nas bolas cruzadas, jogada considerada como a principal virtude do Palmeiras, sobretudo com o lateral-direito Arce. O treinador são-paulino faz questão de destacar que não houve atenção especial com o aspecto emocional do grupo. Sem segredos, ele já revelou que não haverá surpresas na escalação. O lateral-esquerdo Gustavo Nery volta ao time, Gabriel vai para a direita e Belletti para o banco. No Palmeiras, que passou a semana negando estar com ?ciúmes? da atenção dispensada ao adversário, tudo é mistério. O técnico Vanderlei Luxemburgo fez de tudo para se desviar do assunto escalação, mas garante que é difícil repetir alguma opção tática de outros confrontos. ?O esquema depende muito dos jogadores que você tem, por isso não dá para pensar no passado?, disse. No discurso, possíveis pistas sobre o time. ?Eu nunca falei em reforçar a marcação?, ressaltou o treinador, lembrando que até os atacantes têm obrigação de ?dar combate?. Os jogadores do Palmeiras dão uma risadinha maliciosa quando o assunto é ?a surpresa? reservada ao adversário. ?Vocês logo vão saber. Vai ver eu vou jogar de lateral?, brincou o atacante Christian. Falando mais sério, o jogador prefere não entrar em rivalidade com os são-paulinos e acredita que uma vitória será importante para o time voltar à liderança isolada e a torcida ?fechar de vez? com o grupo. Duelos ? Nesta terça-feira, nos dois times, houve a preocupação de não fazer da partida um duelo pessoal. ?Somos técnicos da mesma geração e por isso vamos nos encontrar sempre, assim como acontece com o Luiz Felipe Scolari ou o Oswaldo de Oliveira?, afirmou Luxemburgo. Nelsinho também rechaçou qualquer conotação de duelo. Porém, não resistiu à comparação de aproveitamento com Luxemburgo. ?Já disputamos cinco finais. Eu ganhei duas e ele três.? Os zagueiros Emerson, do São Paulo, e César, do Palmeiras, velhos compadres, se esforçam para deixar a amizade de lado no primeiro confronto entre ambos. ?Tanto nós como nossas famílias são muito próximas. Mas amanhã, nada melhor do que a vitória?, disse o são-paulino. César também não fala de outra coisa senão vencer. Mas foi mais conciliador. ?Sinceramente vou precisar pensar um pouco para definir quais seriam as deficiências do Emerson?, afirmou o palmeirense, sobre o antigo companheiro na Lusa. Outros jogadores inspiram-se em clássicos do passado. ?São Paulo e Palmeiras sempre fazem grandes jogos?, afirmou o goleiro da equipe do Morumbi, Rogério Ceni. ?Nunca esqueço um empate por 4 a 4 em que marquei o gol de empate.? Luxemburgo também tem seu jogo inesquecível. ?Foi um 3 a 2 no Pacaembu. O time estava perdendo por 2 a 1 quando eu coloquei o Maurílio em campo e a torcida me chamou de burro.? No final, lembra o técnico, o jogador comandou a virada. Seleção ? Fora a disputa pela liderança do Torneio Rio-São Paulo, o clássico desta quarta-feira também é uma oportunidade para justificar (ou não) uma eventual presença na lista que o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, divulgará na quinta para o amistoso do dia 27, diante da Iugoslávia. Nesse grupo estão o lateral-direito Belletti, os goleiros Marcos e Rogério Ceni e os meias Kaká e Alex. Este último acredita que dependendo do resultado do jogo ?pode acontecer algo de diferente, para melhor, no futuro de alguém.?

Agencia Estado,

19 Março 2002 | 20h02

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.