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Clodoaldo lamenta o abismo técnico entre as seleções de 70 e de hoje

José Orenstein - estadão.com.br

10 Junho 2010 | 07h 43

Tricampeão mundial espera que a consistência defensiva compense o meio-campo sem criatividade na África do Sul

Aos 20 anos, Clodoaldo já era o volante titular do Brasil na Copa de 70. Sua nada fácil missão era proteger a defesa de um time que tinha na frente nada menos que Gerson, Rivellino, Pelé, Tostão e Jairzinho e que encantou o mundo com um futebol ofensivo e eficiente. Mas ele não reclamava. Com muita categoria - eternizada no lance em que, na sua própria intermediária, enfileirou os italianos em plena final -, dava equilíbrio ao meio-campo.

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Hoje, Clodoaldo vê na seleção de Dunga situação oposta à de 40 anos atrás: um time sem criatividade no meio, que se preocupa primeiro em marcar e destruir, para depois criar.

 

"Essa seleção tem um esquema bem definido pelo Dunga e esperamos que a consistência do sistema defensivo se confirme na Copa", diz. Mas como ganhar os jogos sem força ofensiva? Mais do que no meio-campo, Clodoaldo aposta no ataque - e especialmente em Robinho. "O Brasil vai depender muito dele para chegar mais longe. O Robinho está muito bem, está focado, ele pode ser o ponto de desequilíbrio".

 

Se a maioria deposita as esperanças em Kaká, para o volante tricampeão não se pode exigir muito do meia do Real Madrid. "Ele vem de um período que nos dá incerteza do que ele pode render". Ainda assim, Clodoaldo diz acreditar numa evolução do jogador. "É bem possível que ele não estreie muito bem, mas depois cresça na competição. Por isso transfiro a responsabilidade ao Robinho, que vem de uma fase muito boa no Santos".

 

De Robinho e Kaká depende também Luís Fabiano, que, na opinião de Clodoaldo, vai ter que aparecer e mostrar personalidade para fazer os gols de que o Brasil precisa. "Ele é o goleador do time. Tem uma grande responsabilidade também".

 

Sobre as chances da seleção brasileira chegar ao hexacampeonato, o ex-jogador é cauteloso, mas otimista. "O Brasil é sempre uma seleção respeitada pelos adversários e sempre será, mesmo que não esteja bem. A seleção agora tem boas condições, uma boa estrutura, mas vai depender do momento dos jogadores, de um talento individual que faça a diferença. Eu tenho confiança de que o Brasil possa chegar às finais".