Nicolas Tucat/AFP
Nicolas Tucat/AFP

Clubes fatiam direitos econômicos de jogadores para ter lucro maior

Estratégia de negociar o jogador, mas manter parte dos direitos econômicos, é adotada com o objetivo de ganhar mais dinheiro em transação futura

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 07h01

Uma maneira encontrada pelos clubes brasileiros para aumentar a lucro com negociação de jogadores tem agitado o mercado e feito os direitos econômicos de alguns atletas ficarem ainda mais fatiados. São cada vez mais comuns transações em que o clube vende o atleta, mas mantém parte de seus direitos econômicos. O objetivo é ganhar ainda mais dinheiro numa etapa futura.

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O último caso de sucesso neste tipo de negociação envolve o Corinthians e o atacante Malcom. No começo de 2016, 85% dos direitos econômicos do jogador foram vendidos ao Bordeaux, da França, por 5 milhões de euros (R$ 21 milhões na época). Em setembro deste ano, os 15% que ainda pertenciam ao time brasileiro foram negociados por 4,5 milhões de euros (R$ 16 milhões). 

O Estado ouviu empresários e dirigentes sobre essa estratégia. Não existe uma regra e tudo depende do comprador. “Não dá para cravar que o melhor negócio seria vender a totalidade dos direitos econômicos, cada caso tem sua relevância”, explicou o diretor de futebol do Corinthians, Flávio Adauto. 

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Times grandes da Europa (Barcelona, Real Madrid, Chelsea, entre outros) tendem a comprar 100% dos direitos econômicos dos atletas. Mas equipes intermediárias preferem adquirir apenas uma porcentagem. “O clube (vendedor) quer continuar dono de um porcentual do atleta porque o conhece e acredita no valor que ele poderá ter no futuro, principalmente em clubes intermediários”, explicou o diretor executivo de futebol do São Paulo, Vinicius Pinotti. 

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Quando a negociação é com um desses times intermediários, a tendência é manter uma fatia dos direitos do atleta, como o Corinthians fez com Malcom. “É uma forma de receber mais no futuro, pois eles vendem melhor que nós, do Brasil”, explicou Fernando Cesar, empresário de diversos atletas, como os zagueiros Pablo e Gustavo Henrique, de Corinthians e Santos, respectivamente. 

Fatiar os direitos de um atleta também é uma forma de baratear a transação. “O dirigente coloca um preço e o comprador não chega no valor. Uma forma de se acertarem é adquirindo uma porcentagem dos direitos”, disse o empresário Marcelo Robalinho, representante do meia Jadson, do Corinthians. 

“Se a instituição não quer pagar o que achamos ser o correto, há uma ‘divisão de risco’. Se ele for vendido, o clube ganha menos na venda, mas antes dividiu o risco”, explicou Pinotti.

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Quando o time brasileiro é de menor expressão, a ordem é sempre tentar vender parte dos direitos. O Novorizontino, por exemplo, conta com diversos jogadores espalhados pelo País. Os dois mais famosos são o meia Michel, do Grêmio, que ainda tem 20% ligados ao time do interior, e o atacante Carlinhos, do Corinthians, com 50%. 

“A gente sabe que a nossa vitrine tem um valor e a de clubes grandes tem outra. Então a gente tenta manter vínculo com o atleta, até para conseguir nos manter e pagar as contas quando ele for negociado. É como se fosse uma poupança”, contou o presidente do Novorizontino, Genilson da Rocha Santos. 

Mas clubes do interior também são vítimas dos grandes da Europa. O atacante de 17 anos, Rodrigo Rodrigues, do Novorizontino, foi negociado com o Real Madrid, que ficará com 100% do garoto e o levará em abril do ano que vem, quando completará 18 anos. 

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