Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Com Del Nero indiciado, Fifa volta a liberar recursos ao Brasil

Secretária-geral da entidade revelou que os trabalhos estão sendo concluídos para permitir desbloquear os US$ 100 milhões

O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2017 | 07h00

A Fifa começará a liberar recursos ao futebol brasileiro, cumprindo uma promessa feita ainda em 2014 durante a Copa do Mundo. Ao Estado, a secretária-geral da entidade, Fatma Samoura, confirmou que o dinheiro que alimentará projetos em estados que não receberam jogos do Mundial passará a ser enviado já no ano que vem. Além disso, os pagamentos de prémios e outras transferências que estavam pendentes também começarão a ser liberadas a partir de 10 de dezembro.  

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"Já em 2018 começaremos a destinar os recursos aos primeiros projetos", disse. Segundo ela, o que falta definir é a estrutura dessa nova empresa que ficaria com a gestão do dinheiro. "Temos de ver se ela será composta por CBF, Conmebol e Fifa ou apenas entre os brasileiros e a Fifa", explicou. "Mas esses detalhes estão caminhando para uma definição", garantiu. 

Prometido em 2014, um fundo de US$ 100 milhões ao Brasil fazia parte do legado da Copa e seria investido nos estados que não receberam jogos da Copa, como forma de compensação por não terem sido escolhidos. Ainda assim, o valor era apenas 2% da renda que a Fifa obteve com o evento no País.

Mas a história mudou depois do indiciamento de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, diante da Justiça americana. Advogados da entidade alertaram que seria um risco fazer uma transferência para uma entidade cujo comando estava sendo questionado. 

Para chegar a novo entendimento, a Fifa exigiu novos controles sobre o destino dos recursos, fiscalização e um programa de compliance por parte da entidade brasileira. 

Do lado da CBF, fontes na entidade insistem que Del Nero não faz questão de ter "poder de assinatura" na nova estrutura, algo que poderia ficar com algum dos vice-presidentes.  Para os advogados da Fifa, transferir dinheiro para a CBF sob o comando de alguém investigado poderia minar sua defesa nas cortes de Nova Iorque.

Em setembro, um entendimento inicial foi obtido, com o compromisso de que uma "nova estrutura" seria criada até o final do ano. Nela, Fifa e CBF seriam sócias na gestão dos recursos a ser aplicado no Brasil. 

Agora, Samoura confirma que o processo irá adiante. Na semana passada, técnicos da CBF estiveram em Zurique, enquanto os primeiros programas começam a ser definidos. 

Controles - A Fifa também aceitou criar mecanismos extras de controle para começar a liberar o dinheiro que a CBF tem direito a receber como membro da entidade máxima do futebol. 

Esses recursos e até prêmios estavam congelados. Em 2016, a CBF deveria ter recebido US$ 1,25 milhão, mesmo valor de 2017. Mas isso não foi pago, exatamente por conta da situação de Del Nero. Nem mesmo o prêmio pelo Mundial de Futebol de Praia havia sido liberado. 

Aos membros da CBF, Samoura indicou que esses pagamentos começariam a ser feitos já em dezembro. 

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