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Nilton Fukuda|Estadão

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Com poucas opções, Palmeiras mantém técnico e espera reação

Marcelo Oliveira é mantido no cargo, mas pode sair em caso de tropeço diante do Rosario Central

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Daniel Batista,
O Estado de S.Paulo

01 Março 2016 | 07h00

O presidente Paulo Nobre resolveu contrariar alguns de seus aliados e manter Marcelo Oliveira no comando do Palmeiras por mais tempo. A pressão de boa parte dos dirigentes do clube contra o trabalho do treinador nunca esteve tão alta, mas o cartola decidiu lhe dar respaldo e focar as críticas pelos resultados decepcionantes no elenco. Nobre espera por uma reação imediata na partida contra o Rosario Central, quinta-feira, no Allianz Parque, pela Libertadores. Uma derrota poderá esquentar a crise.

Alguns dos auxiliares mais próximos de Paulo Nobre o aconselham a demitir o treinador depois da derrota para a Ferroviária (2 a 1 em casa) como forma de dar um choque no grupo. Entretanto, o presidente ainda não está convicto de que o problema esteja somente com o treinador e teme que a mudança de comando piore as coisas no clube. Os jogadores se reapresentaram na segunda após a derrota para o time de Araraquara, no domingo. O clima era de tristeza. Antes da atividade começar, a diretoria se reuniu com os atletas e comissão técnica para conversar sobre o momento da equipe.

 

O foco da discussão ficou mais para a parte tática e para os erros cometidos diante da equipe de Araraquara. Uma conversa mais direta e em tom de cobrança deve acontecer antes do confronto com o Rosario. O relacionamento de Marcelo Oliveira com os jogadores é, no geral, razoável. O próprio treinador não detecta má vontade de nenhum jogador. 

Existem alguns atletas insatisfeitos por estarem sendo pouco aproveitados e outros que questionam a variação tática do treinador, mas o clima não chega a ser de divisão do grupo ou racha no elenco. Embora Nobre entenda que a culpa maior do fracasso está sobre os ombros dos atletas em comparação com o trabalho da comissão técnica, tudo pode mudar, dependendo do resultado de quinta-feira.

 

Nas últimas semanas, o treinador tem se complicado para explicar os problemas do Palmeiras em campo. Sua crítica aberta e antecipado que Leandro Almeida deixaria a equipe, após erro contra o São Bento, não pegou bem entre os jogadores. No domingo, após o jogo com a Ferroviária, Marcelo disse não saber mais o que fazer para a equipe voltar aos trilhos e apresentar um bom futebol.

Existem dois fatores que ajudam na permanência de Marcelo Oliveira no Palmeiras neste momento. A primeira delas é falta de opção no mercado. Não houve nenhum contato direto, mas os dirigentes já receberam informação de que Cuca e Abel Braga, duas possíveis opções, não estão dispostos a trabalhar antes de abril por questões pessoais. Levir Culpi, outro nome lembrado no clube, embora esteja desempregado, não possui prestígio entre os dirigentes e é muito marcado por ter sido o técnico do time no rebaixamento de 2002. 

FECHADO COM O TREINADOR

Outro problema é o lado financeiro. Marcelo Oliveira chegou ao Palmeiras em junho de 2015 com um contrato válido até o fim desta temporada e com a obrigação de o clube pagá-lo até dezembro, mesmo se decidir por sua saída antecipadamente. Os jogadores elogiam e asseguram que estão do lado do treinador. “Todo mundo está fechado com o Marcelo. Vamos jogar por ele, por nós, pela nossa família e pelo Palmeiras. Acreditamos 100% nele”, disse Cristaldo, que pode substituir Alecsandro contra o Rosario. 

OS PRINCIPAIS PROBLEMAS DO PALMEIRAS

1. Tática

Desde sua chegada ao Palmeiras, Marcelo Oliveira ainda não se decidiu por um esquema. Na decisão da Copa do Brasil de 2015, ele mandou a campo o time no 4-2-3-1 e o Alviverde foi bem. Neste ano, tem insistido no 4-3-3 sem obter resultados.

2. Sacrifícios

Alguns jogadores estão sobrecarregados. O lateral-esquerdo Zé Roberto precisa recompor rapidamente, o que aumenta seu desgaste. O atacante Gabriel Jesus, deslocado para auxiliar o veterano na marcação, deixa de render o que pode.

3. Entrosamento

É comum o rodízio de atletas no começo de temporada. Só que no Palmeiras a rotatividade é tão grande que o time tem demorado mais se entrosar.

4. Contratações

O Palmeiras trouxe novos jogadores, mas nenhum para ser o meia criativo que a torcida tanto deseja. Clube e técnico apostam na recuperação de Cleiton Xavier, que ainda não tem data para voltar aos gramados

5. Postura

O elenco fica incomodado com as entrevistas do técnico. Ele já chegou a reclamar da atuação de um jogador (do zagueiro Leandro Almeida, após o empate com o São Bento) e após a derrota para a Ferroviária afirmou que “não sabia o que fazer para melhorar o time”. 

 

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