Começa Campeonato Brasileiro do penta

Ser a principal competição do Brasil não significa, necessariamente, ser a melhor. O Campeonato Brasileiro, que começa sábado e se estende até o dia 15 de dezembro, como já é tradição, vai mexer com a paixão e a emoção de milhões de torcedores. Contudo, antes mesmo de seu início, já provou que nem mesmo a campanha da seleção brasileira na conquista do pentacampeonato na Coréia do Sul e no Japão, há pouco mais de um mês, foi suficiente para eximi-lo dos sérios e constrangedores problemas de organização que marcam sua realização nos últimos anos. A realidade dos bastidores do futebol se mostrou dura. Enquanto se imaginava um grande torneio, digno de coroar o futebol cinco vezes campeão mundial, o que se vê são clubes em fase de preparação que não sabem sequer se poderão entrar no campo na primeira rodada. Tudo por causa de imbróglios jurídicos que insistem em ameaçar, a cada dia, a realização do mais importante evento esportivo do País. O exemplo mais recente é o que envolveu as equipes do Caxias-RS e do Figueirense. Depois de muita confusão nas finais da Série B da temporada passada, com os gaúchos simulando contusões e a torcida catarinense invadindo o gramado antes de o jogo terminar, o destino do futebol brasileiro saiu do campo e voltou para os tribunais de Justiça. O clube de Santa Catarina venceu a causa e foi incluído na tabela ao lado dos outros 25 participantes. No entanto, defensores do Caxias garantem, a todo momento, que uma nova liminar pode sair em favor dos gaúchos e interromperia o campeonato. Ver quem? - Como se não bastassem as questões extracampo que, na maioria da vezes, pouco interesse desperta da torcida, mas que influencia o futuro e desenvolvimento daquele que é um dos principais meios de entretenimento da população, outro detalhe negativo se apresenta: a falta de estrelas. Em crise financeira aguda, os clubes, sem exceção, ficaram reféns absolutos da venda de atletas. Leis e Medidas Provisórias à parte, essa ainda continua sendo a fonte de renda mais certa. E a conseqüência vai ser sentida, ou melhor, vista no campo. O atacante Romário, aos 36 anos, agora defendendo o Fluminense, ainda é a personagem principal dessa história, seu autêntico protagonista. Basta lembrar que, dos 23 atletas que compuseram a seleção brasileira no Mundial, somente o goleiro Marcos, do Palmeiras, e o meia Kléberson, do Atlético-PR, continuam no Brasil. Perspectiva - Mas nem tudo é problema. A cada edição o Brasil prova que seu potencial para revelar jogadores é quase infinito. Se estrelas como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Emerson, Cafu, Denílson, França, Roberto Carlos, entre outros, vão desfilar diante da torcida brasileira apenas na véspera da aposentadoria, nomes como Diego e Robinho, do Santos, Souza, do Vasco, Andrezinho, do Flamengo, e Nenê, do Palmeiras. Entre os clubes, alguns nanicos entram como atração. São Caetano, vice-campeão da Taça Libertadores da América e dos Brasileiros de 2000 e 2001, e Paysandu, campeão da Copa dos Campeões, prometem dar trabalho. Basta esperar os 349 jogos para ver! Leia no "Estadão" caderno especial do Campeonato Brasileiro

Agencia Estado,

09 Agosto 2002 | 10h55

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