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Copa 2014

Comissão técnica age para melhorar controle emocional de jogadores

Luiz Antônio Prósperi - enviado especial a Teresópolis - O Estado de S. Paulo

30 Junho 2014 | 19h 39

Felipão e Parreira pedem mais racionalidade daqui para frente. Time mudará contra Colômbia: na atitude, e com a volta de Paulinho 

Atualizada às 22h35

A comissão técnica da seleção brasileira concluiu que o maior problema do time é a cabeça dos jogadores. Luiz Felipe Scolari e o coordenador Carlos Alberto Parreira, com auxilio de psicólogos, se reuniram nesta noite de segunda-feira para tentar reverter a situação. Felipão e Parreira têm claro que, se controlarem o estado emocional dos atletas, a seleção vai voltar a jogar um bom futebol. Os dois admitiram que a seleção está jogando mal e deve sofrer mudanças para o jogo contra a Colômbia.

Em conversa informal com seis jornalistas, o repórter do Estado entre eles, no início dessa noite na Granja Comary, o comando da comissão técnica argumentou que é preciso menos coração e mais razão daqui para frente. Não é preciso mais tanto choro. Felipão e Parreira já detectaram alguns jogadores que estão com a adrenalina acima do normal e vão fazer tudo para aliviar a tensão geral.

Alex Silva/Estadão
David Luiz não segura as lágrimas após a vitória do Brasil contra o Chile

O caso de Thiago Silva é o mais sintomático - o capitão ficou de costas durante a cobrança de pênaltis contra o Chile. Para a comissão técnica, os jogadores deveriam seguir o exemplo de David Luiz que, mesmo com dores insuportáveis nas costas, fez questão de jogar e ainda pediu para abrir a série de cobranças. Felipão gostaria de que Neymar fosse o primeiro a bater. David foi lá e bateu e até por isso, na avaliação da comissão técnica, ele é o verdadeiro líder da seleção.

Parreira e Felipão entendem que o pior já passou com classificação às quartas de final. Parar no Chile nas oitavas de final seria o maior vexame da história da seleção, na opinião da comissão técnica. Tragédia maior do que a derrota na Copa de 1950. Como essa etapa foi superada, acreditam Felipão e Parreira, a tendência é o time jogar com mais alegria e menos emoção. Eles não querem que os jogadores joguem como medo de serem condenados como foi o goleiro Barbosa no Maracanazo.

O desafio agora é superar as quartas de final. Lembram que nas duas últimas Copas (2006 e 2010), o Brasil parou nas quartas. Na avaliação deles, o jogo contra a Colômbia vai ser menos dramático porque não será uma guerra. Se fosse o Uruguai o adversário a tendência é que a seleção teria uma outra batalha pela frente no mesmo padrão que foi contra o Chile.

Contra a Colômbia, Felipão admite algumas mudanças. Primeiro exige nova atitude dos jogadores. Segundo, deve promover a volta de Paulinho ao time com Fernandinho no lugar do suspenso Luiz Gustavo. O resto da equipe não deve sofrer alterações.

A expectativa dos chefes é de que Oscar e Hulk possam se libertar das amarras do sistema tático para agrupar mais o meio de campo ao lado dos volantes e ajuda dos laterais Daniel Alves e Marcelo. Aliás, Marcelo tem sido muito elogiado pela comissão técnica. Felipão, porém, não admite puxar o lateral para o meio, para dar mais criatividade ao meio de campo, e escalar Maxwell na lateral-esquerda.

Outra análise do comando da CBF é que a Fifa estaria disposta a não deixar o Brasil conquistar a sexta Copa do Mundo. Felipão e Parreira têm como parâmetro as atitudes da entidade em relação à seleção brasileira e o comportamento da arbitragem que estaria prejudicando o Brasil.

A Fifa, na opinião da comissão técnica da seleção, teria ignorado as acusações de Louis Van Gaal que insinuou um suposto favorecimento para o Brasil ganhar a Copa. E também das revelações de Robben de que teria simulado pênalti em lances no jogo contra o México e não foi advertido pela Fifa.

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